Não houve, nas 21 Copas do Mundo, de 1930 a 2018, quem fizesse 13 gols em uma única edição, só Just Fontaine, que neste domingo, 18 de agosto de 2019, completa 86 anos. Na Copa de 58, ele foi o primeiro a fazer gol no Brasil, que eliminou a França (5 x 2) nas semifinais, antecipando-se ao capitão Bellini, driblando Gilmar e concluindo sem goleiro.

DUAS VIRADAS – Just Fontaine recorda que os primeiros dos 13 gols que marcou na Copa de 58 foram em jogo de muita emoção, e com duas viradas, na vitória (7 x 3) sobre o Paraguai: “Marquei três gols e logo no jogo seguinte fiz mais dois, mas perdemos (3 x 2) para a Iugoslávia. No terceiro jogo, ganhamos (2 x 1) da Escócia e eu marquei um gol”.

QUARTAS E SEMI -Fontaine relembra que a França entrou com moral nas quartas de final e ganhou fácil (4 x 0) da Irlanda, “uma seleção que só sabia se defender” – diz ele. A França enfrentou então seu teste mais difícil. O Brasil lançou Pelé e Garrincha no jogo com a Rússia (na época, União Soviética) e desde então nunca perdeu com eles juntos.

O ARTILHEIRO recorda: “Chegamos aos 2 x 2 com o Brasil e marquei meu nono gol quando empatamos, mas não dava para conter Garrincha e Pelé. O Brasil nos eliminou e  fomos decidir o terceiro lugar com a Alemanha. Fiz quatro gols, ganhamos de 6 x 3 e com 13 gols eu superei o Sandor Kocsis, da Hungria, que havia feito 11 gols na Copa anterior”.

JUST FONTAINE marcou 30 gols em 21 jogos pela seleção. Em 2004 ele ganhou o prêmio de melhor jogador francês na festa dos 50 anos da União Europeia de Futebol (UEFA). Ele nem acreditou que estava deixando Platini em segundo e Zidane em terceiro. Bom dizer: Fontaine, Kopa e Piantoni eram, por coincidência, filhos de mãe espanhola e pai francês.

PELÉ E A CANETA – Dois anos após Brasil 5 x 2 França, FontaineePelé se reencontraram, em viagem do Santos à Europa. Fontaine havia fraturado a perna, e deu uma caneta a Pelé, pedindo-lhe o autógrafo no gesso. Pelé não entendeu o pedido em francês, mas captou bem o que Fontaine perguntou a alguém próximo, se o idioma que Pelé falava era africano ou macaquês.

IRRITADÍSSIMO, como até então nunca havia sido visto, Pelé fez uma expressão de profunda revolta, jogou a caneta no peito de Fontaine, que estava sentado no saguão do hotel, e falou mil e um palavrões, que deixaram o ex-jogador francês com cara de tacho. Em 79 e 81, Fontaine dirigiu a seleção do Marrocos, que não conseguiu classificar para a Copa de 82 na Espanha.

Just Fontaine nasceu em Marrakesh, então colônia da França, uma das quatro cidades imperiais que atraem mais turistas ao Marrocos, país mais visitado do norte da África. Na carreira, marcou 259 gols em 283 jogos pelo Nice e Reims, da primeira divisão francesa. E fez uma revelação: “Ganhei muito como garoto-propaganda da Adidas e com o seguro das pernas, após sofrer duas fraturas de tíbia e perônio, sem conseguir recuperação completa”.

Fotos: Tabela Online, 11freunde.de, globoesporte.com e EBC