O Flamengo pode repetir na final com o River três feitos históricos do futebol brasileiro no Estádio Nacional de Santiago, ao pé da Cordilheira dos Andes, um dos cartões postais mais belos do Chile. Projetado pelo arquiteto austríaco Karl Brunner, que se inspirou no Estádio Olímpico de Berlim, o estádio foi inaugurado em 3 de dezembro de 1938.

O PRIMEIRO TÍTULO – O torneio dos campeões sul-americanos, de 11 de fevereiro a 17 de março de 1948, foi o primeiro título ganho pelo futebol brasileiro no Estádio Nacional de Santiago. O campeão dos campeões, invicto, foi o Vasco: 2 x 1 no Litoral (Bolívia), 4 x 1 no Nacional (Uruguai), 4 x 0 no Municipal (Peru), 1 x 0 no Emelec (Equador), 1 x 1 com o Colo Colo (Chile) e 0 x 0 na final com o River Plate (Argentina).

TIME CAMPEÃO: Barbosa, Augusto e Wilson; Ely, Danilo e Jorge; Djalma, Maneca, Friaça, Ismael e Chico. Técnico – Flávio Costa. No River, quatro destaques entre os maiores jogadores argentinos de todos os tempos: Nestor Rossi, notável meio-campo, e os atacantes Ángel Labruna, Alfredo Di Stefano e Félix Loustau.

O SEGUNDO TÍTULO – O Brasil ganhou o primeiro título fora do país no Pan-Americano de 1952 – 16 de março a 20 de abril -, no Estádio Nacional de Santiago: 2 x 0 no México, 0 x 0 com Peru, 5 x 0 no Panamá, 4 x 2 no Uruguai e 3 x 0 na final com o Chile. 

SELEÇÃO CAMPEÃ –Castilho, Djalma Santos e Pinheiro; Ely, Brandãozinho e Nilton Santos; Julinho, Didi, Ademir (Pinga), Baltazar (Ipojucan) e Rodrigues. Técnico – Zezé Moreira. Foi a seleção, com exceção de Ademir, na Copa do Mundo de 1954, em que o apoiador Bauer, único remanescente da Copa de 1950, foi escolhido como capitão. 

O TERCEIRO TÍTULO -O Brasil ganhou a segunda Copa do Mundo consecutiva, em 1962, no Estádio Nacional de Santiago, vencendo (3 x 1, de virada) a então Tchecoslováquia, na final de 17 de junho, diante de 68.679 pagantes. O recorde de público – 76.500 – foi na semifinal, em que o Brasil ganhou (4 x 2) do Chile, com dois gols de Garrincha, expulso.

SEM PELÉ – No segundo jogo da fase de grupos com a Tchecoslováquia, Pelé saiu ainda no primeiro tempo, com estiramento muscular na coxa e ficou fora do restante da Copa. O substituto Amarildo ganhou destaque no jogo seguinte, ao marcar os gols da virada (2 x 1) sobre a Espanha, e fez também o gol de empate no primeiro tempo da final.

A SELEÇÃO de 1962 foi a segunda (e última) a ganhar duas Copas consecutivas, repetindo o título de 1958, como a Itália, bicampeã em 1934-1938. Além de Amarildo, só outra mudança: Zózimo, zagueiro do Bangu, no lugar de Orlando, que saiu do Vasco para o Boca. Bom dizer:na época, nenhum que jogasse fora do Brasil seria convocado para a seleção.

NA FINAL, o volante Masopust fez o gol checo aos 15 e Amarildo empatou aos 17. No segundo tempo, Zito aos 24 e Vavá aos 33. A seleção: Gilmar, Djalma Santos, Mauro (cap), Zózimo e Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Pelé (Amarildo) e Zagallo. Técnico – Aymoré Moreira.

1981 e 2019 IGUAIS – Por uma dessas incríveis coincidências, o Flamengo ganhou a primeira Libertadores em 23 de novembro de 1981, no Estádio Centenário, em Montevidéu, 2 x 0, gols de Zico, no jogo extra com o Cobreloa, que venceu o segundo (1 x 0, em Santiago), após perder (2 x 1) o primeiro, no Maracanã.

MUDANÇAS – O técnico Paulo Cesar Carpegiani fez três mudanças no jogo extra: colocou Nei Dias na lateral-direita, passou Leandro para o meio-campo e deslocou Adilio para a ponta-esquerda. O time: Raul, Nei Dias, Marinho, Mozer e Júnior; Andrade, Leandro e Zico (cap); Tita, Nunes e Adílio.

Coincidência: a final de 2019, Flamengo x River, também será em 23 de novembro…

Foto: Staff Images/Flamengo