O técnico Jorge Jesus, do Flamengo, disse com razão, mas não muita, que o Campeonato Carioca nada acrescentará ao seu currículo internacional. Realmente, o Campeonato Carioca perdeu a importância e a cada ano fica ainda mais desacreditado, porque os próprios clubes, ao iniciá-lo com reservas, decidiram enfraquecê-lo. Mas, é importante dizer, também, que o currículo do técnico do Flamengo, em nível internacional, é inexpressivo.

APROVEITAMENTO 50% – No Flamengo, em 2019, o técnico português teve aproveitamento de 50%, ganhando, com todos os méritos, o Campeonato Brasileiro e a Copa Libertadores. Mas perdeu a Copa do Brasil, no Maracanã, e o Mundial de clubes no Catar. Seu ataque avassalador, com os dois principais artilheiros do ano, sequer exigiu que o goleiro do Liverpool fizesse uma única defesa difícil em 120 minutos.

ÚNICO GRANDE – Antes do Flamengo, o único time realmente grande que Jorge Jesus dirigiu foi o Benfica, com três títulos nacionais entre 2009 e 2015, e foi vice com o Sporting. No Belenenses, foi quinto e vice da Taça de Portugal, e nunca esteve nos planos do Porto. Antes de acertar com o Flamengo, em junho de 2019, ganhou a nada representativa Taça da Arábia Saudita, dirigindo o inexpressivo Al-Hilal.

EXPECTATIVA – Jorge Jesus viveu a expectativa do interesse de algum grande da Europa, após o bom desempenho e os títulos do Flamengo, mas não teve proposta. Há quase meio século na estrada, Jesus foi apenas modesto meia, retirando-se aos 35 anos, em 1989, com participações discretas nos campeonatos da terceira e da segunda, em que foi vice-campeão, em 78-79, com o Juventude de Évora.

PRESTÍGIO – Jorge Jesus é técnico desde 1990, quando ganhou a terceira divisão com o Amora. Em seu currículo, outros igualmente menos expressivos: Felgueiras, que ganhou a segunda divisão, e Estrela Amadora, Vitória de Setúbal e Vitória de Guimarães, na Série A, mas em posições secundárias. Os títulos mais importantes que ganhou, aos 65 anos, e 47 no futebol, como jogador e técnico, foram os dois do Flamengo.

DIFERENÇA – Portugal tem sempre técnicos em evidência em bons times da Europa. José Mourinho, aos 57 anos, é do Tottenham, quinto na Inglaterra, depois de campeão português e da Champions com o Porto; tricampeão inglês no londrino Chelsea; italiano e da Champions na Inter de Milão; no Real Madrid e no Manchester United. De todos, o mais bem-sucedido e avaliado por seu trabalho.

OUTRO DESTAQUE atual entre os técnicos portugueses é Nuno Espírito Santo, que aos 46 anos ganha elogios pelas atuações cada vez mais convincentes do Wolverhampton, oitavo da Premier LeagueO mesmo desempenho ele mostrou no Valencia, em 2014-15, com exibições de realce no Campeonato Espanhol, e em 2016-17 no Porto, vice-campeão. Nuno ganhou o título de Doutor em Futebol da Universidade de Wolverhampton.

PAULO FONSECA, de 46 anos, ex-zagueiro, é outro técnico português em evidência nas cinco principais Ligas da Europa, comandando a Roma, em quinto no campeonato. Pelo trabalho no Porto, em 2013-14, ele despertou o interesse do Shakhtar e comprovou a qualidade no tricampeonato da Ucrânia, em 2016-17-18-19. Daí surgiu o convite da Roma, através do diretor e ex-atacante Francesco Totti, maior artilheiro do clube com 307 gols em 786 jogos, de 1992 a 2017.

ARTUR JORGE, hoje aos 73 anos, foi artilheiro do Porto, Acadêmica de Coimbra, Benfica e Belenenses, e primeiro técnico português a comandar uma equipe fora de Portugal, a do Racing de Paris, em 86-87. Ele ganhou (2 x 1) a decisão da Copa dos Campeões da Europa com o Bayern de Munique, com o gol de Juary, atacante que o Santos comprou do carioca Pavunense e depois vendeu ao francês Racing. A Libertadores é pouco. Jorge Jesus precisa melhorar seu currículo internacional para despertar o interesse de algum clube realmente grande da Europa.