Hoje, 26 de abril de 2020, é um domingo muito especial para Rondinelli, o Deus da Raça, que comemora 65 anos, em casa, com a família, em sua bela chácara em São José do Rio Pardo, a 257 km da capital de São Paulo. Um dia tão especial quanto o domingo, 3 de dezembro de 1978, quando marcou de cabeça, aos 42 do segundo tempo, o gol do título de campeão carioca, na decisão (1 x 0) com o Vasco, com mais de 120 mil torcedores no Maracanã.

A GERAÇÃO – Rondinelli define o título como a salvação da geração Zico: “O Fluminense foi bi em 75-76 e o Vasco em 77, no 0 x 0 conosco. Aquele gol de cabeça, na final de 78, salvou a geração Zico, porque ganhamos os dois campeonatos de 79, o Brasileiro de 80, a Libertadores e o Mundial de 81. Foi também o gol mais importante da minha vida, pelo título, por ajudar a salvar a geração Zico e porque passei a ser o Deus da Raça rubro-negra”.

O LANCE – O lateral-esquerdo Marco Antonio, do Vasco, mandou a escanteio e a bola parou na mão de Tchê, fotógrafo uruguaio, rubro-negro fanático, que estava a meu lado. Ele jogou a bola para o Zico e disse: “Rápido, Galo, tá acabando”. Zico bateu da direita, Roberto Dinamite, que tinha boa estatura, não acompanhou Rondinelli, que subiu nas costas do zagueiro Abel (Braga) e cabeceou forte no canto direito do goleiro Leão1 x 0, Flamengo campeão.

A IMPULSÃO – Rondinelli recorda, quase 42 anos depois, que sua impulsão como zagueiro de 1,89m, foi ganha nos treinos na caixa de areia, com os preparadores físicos Francalacci, que fez o trabalho especial de fortalecimento muscular de Zico; Lazaroni, que depois seria técnico, e Fernando Soares. Além disso, Rondinelli ia muito ao ginásio da Gávea, quando terminava o treino de campo, para ganhar impulsão nos arremessos de basquete.

DOIS NOMES – Deus da Raça, como passou a ser chamado pela torcida Raça Rubro-negra, após o gol do título, também faz questão de citar dois nomes, o do presidente Marcio Braga e o do técnico Claudio Coutinho“Eram mais que técnico e presidente. Tinham muita preocupação com a nossa vida pessoal, perguntando sempre se estava tudo bem, sem deixar que nada nos faltasse. Marcio e Coutinho foram muito importantes”.

O FILME – Só 25 anos depois, em 2003, a Raça Filmes produziu documentário em curta-metragem, dirigido por Pedro Asberg e Felipe Nepomuceno, contando sobre o gol de cabeça de Rondinelli. Belo filme, em cores vivas, com 26 minutos de duração, ganhador do prêmio do Festival de Cinema de Futebol. Nem é preciso dizer porque o filme não poderia ter outro nome: O Deus da Raça. Mais uma homenagem que deixou Rondinelli emocionado.

OS QUATRO – Rondinelli foi juvenil de 68 a 70, tornando-se profissional em 71 e defendeu o Flamengo até 81, marcando 12 gols em 406 jogos. O do título de 78 foi o único que marcou, em 6 dos 22 jogos do time campeão, mas valeu por 1000 gols! Campeão carioca em 74, dirigido pelo ex-lateral Jouber, entrou em 7 dos 27 jogos. Em 79, atuou em 11 dos 18 jogos, e no campeonato Especial de 79, fez 26 dos 33 jogos. 

CARPEGIANI – Bicampeão brasileiro em 75-76 no Internacional, Paulo Cesar Carpegiani formava com Adílio e Zico o meio-campo campeão carioca de 78-79-79 (Especial) e assumiu o comando do time, que Coutinho levou ao título brasileiro de 80. Rondinelli disputou 9 dos 35 jogos da Libertadores de 81, em que Zico foi o artilheiro (25) e o Flamengo, com 81 gols, teve a média excelente de 2.31 gols por jogo. Em 13/12/81, com 3 x 0 no Liverpool, Carpegiani tornou-se o único técnico campeão sul-americano e mundial com o Flamengo no mesmo ano.

TAURUS R3 – A visão de campo se estendeu aos negócios. Rondinelli, além de bom patrimônio imobiliário, tem o Taurus R3, posto de combustíveis que seu filho Rondinelli Jr gerencia, com lojas de conveniência e restaurante, além da bem montada e dirigida Escolinha de Futebol em Rio Pardo. Entre outros, ele revelou o meia Andrezinho, ex-Flamengo, Vasco e Botafogo. Rondinelli se divide entre a terra natal e Cabo Frio, no litoral fluminense.

PROJETOS SOCIAIS – Não só em várias áreas de cidades brasileiras, mas também no exterior, o Deus da Raça apoia projetos sociais. Poucos sabem, mas Rondinelli abastece instituições que controlam o futebol africano, enviando bolas para os clubes que desenvolvem o trabalho com crianças. O Senegal, país da costa ocidental da África, está entre os que recebem apoio, assim como Moçambique, nação do lado oposto, no Sul africano.

CASA DE ZINCO – Rondinelli é frequentador da famosa Casa de Zinco, ponto de grande atração turistica, em sua terra natal, onde o notável Euclydes da Cunha escreveu em 1902 a obra-prima Os Sertões, que lhe valeu vaga, em 1903, na cadeira 7 da Academia Brasileira de Letras. Euclydes da Cunha era fluminense, nascido em 20/1/1866, no município de Cantagalo, e morreu com um tiro no peito em 15/8/1909, na Piedade, Zona Norte do Rio.

ANTONIO JOSÉ RONDINELLI TOBIAS, ao sair do Flamengo com todos os títulos de campeão – Carioca, Brasileiro, Libertadores, Mundial e Deus da Raça -, ainda jogou no Corinthians (1981); campeão carioca em 82 no Vasco; seis meses no Atlético Paranaense, em 83; no Marítimo, da Madeira (Portugal); Paysandu, Goiânia e Goiás. Valente e determinado, superou com muita dedicação no tratamento os problemas que teve no joelho para jogar tantos anos.Rondinelli é um dos nomes de ouro da história de sempre do Flamengo.

Fotos: Lance, Terceiro Tempo, BlogserFlamengo (Vídeo), O Dia, Coluna do Fla e Pinterest.