O Guangzhou Evergrande FC, oito vezes campeão chinês e duas vezes campeão da Ásia, inicia amanhã (23) as obras do maior estádio particular do mundo, com 100 mil lugares e ao custo de 1.700 milhões de dólares. Um ano após a inauguração, o estádio será palco da festa de abertura da Copa da Ásia de 2023. Guangzhou é capital e maior cidade da província de Cantão, terceira maior do país, tratada pelos chineses como Cidade das Flores.

DOIS CAMPEÕES – Guangzhou FC, de 66 anos, fundado em 8 de janeiro de 1954, teve dois motivos para ganhar impulso: a parceria com o Grupo Evergrande Real Estate, o mais forte do ramo imobiliário chinês, e a contratação dos técnicos campeões do mundo: Luiz Felipe Scolari, em 2002, e o italiano Marcelo Lippi, em 2006. Lippi ganhou o primeiro tri – 2011-12-13 – e Scolari, o segundo, em 2015-16-17, a Liga da Ásia (2015) e a Copa da China (2016).

IMPORTANTE – O Guangzhou reconhece a importância do atacante Muriqui, na subida do time à Série A, liderada por ele, artilheiro e campeão da Série B, com 14 gols, em 2010. Muriqui foi revelado no Madureira, em 2004, e jogou no Vasco, por empréstimo, em 2005, mas saiu para a China quando jogava no Atlético Mineiro. Muriqui fez 77 gols em 133 jogos, de 2010 a 2014. Hoje, aos 33 anos, ele joga no Shijiazhuang FC, a 295 km da capital Pequim.

DESTAQUES – Sob o comando do ex-zagueiro Fabio Cannavaro, de 46 anos, capitão da seleção italiana campeã do mundo em 2006, o Guangzhou Evergrande tem três brasileiros como destaques: o volante Paulinho, ex-Corinthians e seleção na Copa de 2018; o meia Elkeson, ex-Botafogo, duas vezes artilheiro da Superliga da China, com 24 e 28 gols, e o atacante Ricardo Goulart, ex-Cruzeiro, artilheiro da equipe com 135 gols em 154 jogos.

SAÚDE, AMIGO! – Na Volta ao Mundo de 1964 do Madureira, que cobri como repórter, Cantão foi nossa porta de entrada na China, em agradável viagem de duas horas de trem, saindo de Hong Kong. Ao chegarmos à Cidade das Flores, fomos recebidos com vários Gan Bei, que quer dizer saúde, em chinês. Bate-se o cálice à mesa e diz-se Gan Bei, pen iou (Saúde, amigo), toma-se o vinho de uma só vez, exibe-se o cálice vazio, e os anfitriões incentivam a repetição. Se possível, várias vezes.  

CANTÃO é uma cidade portuária e ficamos em mansão com piscina. À noite, deixávamos os sapatos na porta do quarto para que fossem engraxados. Há locais históricos em Cantão, bela região do Sul chinês: o Museu de Arte, com 12 salas; o Jardim das esculturas, ao ar livre, com 5 mil metros quadrados; a Catedral do Sagrado Coração de Shishi, impressionante por seus arcos, torres e sinos de bronze, e o mais antigo Jardim Botânico tropical chinês.

AS FLORES – Na arte, na poesia, na música, as flores são um dos símbolos importantes da milenar cultura chinesa. A Peônia é a flor nacional da China, onde há uma flor para cada estação: Orquídea, na primavera; Crisântemo, no outuno; Lótus, no verão; Ameixeira, no inverno. Bom dizer: o valor de uma Orquídea, no Brasil, permite ao chinês fazer arranjos florais por três semanas em casa! O preço das flores na China é insignificante. 

PROVÉRBIO – As casas chinesas estão sempre enfeitadas com uma variedade de flores, em espécies e cores, deixando no ar a agradável sensação de vida pura, com frescor, harmonia e esperança. Os espaços públicos, limpos e bem cuidados, são simplesmente deslumbrantes, com tantas flores a ornamentá-los.  Há um provérbio chinês, usado com muita frequência: “Um pouco de perfume sempre fica nas mãos de quem oferece flores”.