Coragem à CBF para acabar com os estaduais, do último sábado (4), teve repercussão muito acima da média do trabalho que realizo com o amigo e parceiro Marcelo Santos, rubro-negro notável, responsável pela seleção de fotos e publicação das matérias. Não esperávamos que fosse diferente nem que deixasse de ter a aceitação da maioria dos nossos seguidores. O tema é polêmico, envolve muitos problemas e leva à extensão do debate, pela complexidade a que está sujeito. Um tema longo.

LONGO, E AINDA sem ter sido debatido de frente. Pelo contrário, sempre com a decisão final protelada por quem rege o futebol no país, a Confederação Brasileira de Futebol. Mas, a CBF sempre prefere ficar com o velho provérbio português “Acender uma vela a Deus outra ao Diabo”, para se manter bem com as partes, contornando situações que deixam o futebol mais fragilizado. A política da troca de favores, consagrada na expressão popular do toma-lá-dá-cá, usada com frequência em ambientes sujos. 

A MESMA POLÍTICA adotada pelo Flamengo, com o Vasco na carona, na viagem a Brasília; a política da subserviência do prefeito, autorizando em troca de votos, e a Federação de Futebol apoiando, para apressar a volta dos jogos, no auge da curva ascendente de uma pandemia, que já levou a óbito mais de 65 mil brasileiros, conforme o boletim da noite de ontem (6). O futebol, ao lado de hospital de campanha, com centena de infectados, e o dinheiro público desviado em obras e aparelhos superfaturados. 

AMANHÃ, quarta-feira, 8 de julho de 2020, a edição 37 da Taça Rio, disputada desde 1982, termina da maneira mais sombria. Pela primeira vez, sem público, no estádio e em casa, por culpa de alguns, que, com elevado grau de cinismo, dizem ser “a nossa maior parceira”. A televisão que desrespeitaram, esquecendo-se de cotas adiantadas, que pediram e receberam, na hora do sufoco. A maravilhosa história centenária do Fla-Flu não merece que o clássico seja o fim da picada do futebol carioca.

Fotos: Taça do Campeonato Carioca 2020 – ÚRSULA NERY/AGÊNCIA FERJ