Nada a ver com os 5 x 0 do Independiente del Valle, mas o Flamengo continuou perdendo, um dia depois de sofrer a maior goleada em seus 129 jogos de história na Libertadores, sem a inclusão de Gabriel e Bruno Henrique, entre os convocados de ontem (18) para os jogos de outubro da seleção pelas eliminatórias. Eles foram retirados da lista de março, quando o técnico fez a primeira convocação, mas os jogos tiveram que ser adiados, em virtude da pandemia do novo coronavírus.

EXPLICAÇÃO – Político, daqueles que medem bem as palavras, Tite usa a habilidade para não melindrar, mas, mesmo cauteloso, o técnico não deixou de ser claro na explicação, ao se referir à ausência dos dois atacantes do Flamengo, seis meses após convocá-los em março: “O que vale sempre é o desempenho técnico individual do jogador, e eu falo com eles: a mecânica da equipe é uma coisa, mas o domínio, o passe, estar em forma, isso é responsabilidade exclusiva do jogador, e serve para todos”.

EM QUEDA – Não era lícito esperar que o técnico da seleção mantivesse a convocação de Bruno Henrique e Gabriel, em queda de rendimento desde o recomeço do Campeonato Brasileiro, e até mesmo no Campeonato Carioca, que há tempos deixou de ser referência. O grande objetivo de Gabriel, hoje no meio da carreira, aos 24 anos, é voltar à Europa, onde não aproveitou as chances que teve na Inter de Milão- 1 gol em 10 jogos  e no Benfica- 1 gol em 5 jogos , tanto que foi devolvido ao Santos. 

GABRIEL, mais que Bruno Henrique, já aos 29 anos, via na seleção o trampolim para o salto na direção de um clube europeu de renome, mas, em pouco tempo, as chances quase zeraram, com o declínio técnico no Flamengo, sua principal referência. Não ter entrado na segunda convocação para os primeiros jogos das eliminatórias, reflexo de momento ruim porque passa o time, vai exigir do próprio jogador, e muito também do clube, para que a situação seja revertida em pouco tempo.

O FLAMENGO precisará de boa recuperação no jogo com o Barcelona, bem inferior ao Independiente del Valle e sem o benefício da altitude, para acalmar a situação de intranquilidade, em que já se cogita até da demissão coletiva da comissão técnica. Ao dar preferência a técnicos estrangeiros, aumentando a despesa pela diferença cambial, o clube não só desvalorizou o treinador brasileiro, mas também criou desconfiança em torno do trabalho, como se nenhum seja capaz ou tenha competência.

OS 11 JOGOS do técnico espanhol, com quatro derrotas sem fazer gol e a maior vergonha do Flamengo em 129 jogos na Libertadores, questionam a competência de Domènec Torrent, cuja única credencial foi a de ter sido assistente de Guardiola. Os que o escolheram, e foram contratá-lo na Espanha, poderiam ter feito uma análise mais detalhada. Afinal, o único trabalho solo que Domènec fez foi no New York City FC. E daí? Diz alguma coisa do New York City FC. Dá para comparar com o Flamengo?

CLIMA TENSO é pouco. Os 5 x 0 do Independiente del Valle machucaram, e vão continuar doendo muito na alma rubro-negra. O ambiente no clube é de alta tensão. A pressão aumenta à medida que se passam as horas. A maioria das correntes quer a saída imediata do técnico, e de todos que vieram com ele. Tudo indica que nem mesmo uma vitória no próximo jogo, por mais ampla que seja, acalmará a situação. O Flamengo é um barril de pólvora. Prontinho para explodir.

Foto: Coluna do Fla