O 7 de junho é um dia muito especial no calendário do futebol do México, que celebra o aniversário de seu mais famoso goleiro, Antonio Carbajal, que disputou cinco Copas do Mundo consecutivas. Hoje, 7 de junho de 2020, ele completa, lúcido e com muita saúde, 91 anos, na Cidade do México, onde nasceu em 1929, 25 anos antes da fundação do Leon FC, único time que defendeu em 16 anos como profissional, que todos os mexicanos reverenciam como um dos eternos de sua história.

LEMBRANÇAS – Voltei várias vezes ao México, após minha primeira Copa como repórter, em 1970, e fui apresentado a Carbajal por Ignacio Matus, redator-chefe do ESTO, principal jornal esportivo, que me manteve por dez anos correspondente no Brasil. Entre um jugo de piña (suco de abacaxi) e ancas de rana (filé mignon de rã), em restaurante da Zona Rosa, área nobre da região central da capital mexicana, que nunca imaginei ser tão gostoso, El Cinco Copas, como Carbajal é tratado, com muito carinho,  pela maioria dos mexicanos, foi logo recordando sua primeira Copa, a de 1950, no Brasil.

NOTÁVEIS -“A seleção brasileira era notável” – disse ele, recordando especialmente Zizinho-Ademir-Jair“Zizinho era muito inspirado. Inteligente, com uma visão maior que a do próprio campo e uma precisão incrível nos passes. Um gênio!” Sobre Ademir, de quem sofreu o primeiro e o último gol dos 4 x 0 na estreia, resumia: “Um faro de gol como só vi depois em Pelé”, e quanto a Jair Rosa PintoCarbajal disse sorrindo: “Quem diz que o Rivelino chutava forte foi porque não viu o Jair”.

LONDRES 1948 – Aos 19 anos, Antonio Carbajal foi o goleiro mais jovem da história dos Jogos Olímpicos, em 1948, em Londres, onde só voltaria, aos 37 anos, para sua última Copa, em 1966. O Club Real España ofereceu 11 bolas ao Oviedo, time amador ainda mais pobre, e ficou com Carbajal, quando ele voltou das Olimpíadas. O España faliu e ele foi para o Leon FC, de Guanajuato, que o tornou profissional em 50, dois meses antes da Copa no Brasil. Jogou até 66 e só ganhou dois campeonatos mexicanos.

SUETER VERDE – Carbajal disputou 48 jogos em 16 anos pela seleção mexicana, na época em que o calendário não era extenso. Foi treinador de goleiros da seleção e assumiu como técnico o próprio Leon, Union Curtidores, Campesinos e Morélia. Não se lembra se perdeu ou se lhe levaram o suéter oferecido pelo Leon – verde e branco, cores do clube -, mas confessou ter chorado: “Foi como tirassem um pedaço de mim”

A ESTREIA – O México foi goleado (4 x 0) pelo Brasil, na estreia de Carbajal, em 24/6/50, na abertura da Copa, com 81.649 torcedores, em tarde de sol no Maracanã. A seleção, no sistema 2-3-5 da época: Barbosa (Vasco), Augusto (Vasco) e Juvenal (Flamengo); Ely (Vasco), Danilo (Vasco) e  Bigode (Flamengo);  Maneca (Vasco), Ademir (Vasco),  Baltazar (Corinthians),  Jair (Palmeiras) e Friaça (São Paulo). Técnico – Flavio Costa. Gols: Ademir (primeiro tempo), Jair, Baltazar e Ademir.

CARBAJAL disputou também as Copas de 1954, na Suíça; 1958, na Suécia; 1962, no Chile, e 1966, na Inglaterra. Bom dizer: além dele, só outro goleiro, o italiano Gianluigi Buffon, aos 42 anos ainda jogando pela Juventus, participou de cinco Copas, em 1998, 2002, 2006 (campeão), 2010 e 2014. Buffon é o recordista de jogos (176) da seleção italiana.

Fotos: wolrdcupfifa7.tripod.com, wix, Futebol Latino e Curioso do Futebol.