Minutos depois da sexta vitória consecutiva nas eliminatórias, os jogadores da seleção brasileira cumpriram o prometido e divulgaram o manifesto sobre a Copa América 2021, que o Brasil decidiu sediar, sem que tenham sido consultados, no último ato do presidente Rogerio Caboclo, afastado por assédio moral e que deverá perder o cargo por decisão unânime do Conselho de Ética da Confederação Brasileira de Futebol. Abaixo, a íntegra do manifesto.

“Quando nasce um brasileiro, nasce um torcedor. E para os mais de 200 milhões de torcedores escrevemos essa carta para expor nossa opinião quanto à realidade da Copa América”.

“Somos um grupo coeso, porém com ideias distintas. Por diversas razões, sejam elas humanitárias ou de cunho profissional, estamos insatisfeitos com a condução da Copa América pela Conmebol, fosse ela sediada tardiamente no Chile ou mesmo no Brasil”.

“Todos os fatos recentes nos levam a acreditar em um processo inadequado em sua realização”.

“É importante frisar que em nenhum momento quisemos tornar essa discussão política. Somos conscientes da importância da nossa posição, acompanhamos o que é veiculado pela mídia e estamos presentes nas redes sociais. Nos manifestamos, também, para evitar que mais notícias falsas envolvendo nossos nomes circulem à revelia dos fatos verdadeiros”.

“Por fim, lembramos que somos trabalhadores, profissionais do futebol. Temos uma missão a cumprir com a histórica camisa verde amarela pentacampeã do mundo”.

“Somos contra a organização da Copa América, mas nunca diremos não à Seleção Brasileira”.

PALAVRA DO CAPITÃO – O zagueiro Marquinhos, capitão pela terceira vez; o volante Casemiro, capitão do jogo anterior, quando usou a braçadeira pela sexta vez, e o artilheiro Neymar, lideraram o movimento dos jogadores contra a maneira como foi conduzida pelo presidente afastado da CBF a realização da Copa América no Brasil. Aos 27 anos e há 9 anos na Europa,  Marquinhos foi à entrevista coletiva na sala de imprensa do estádio, após a vitória sobre o Paraguai. E disse:

“Em momento algum, nenhum de nós disse que não queria disputar a Copa América, mas todos, sem exceção, foram contra a Copa América no Brasil, pela maneira como a decisão foi adotada. Vestir a camisa da seleção é um sonho que nos honra e orgulha. Se cada um quiser se expressar politicamente, é um direito pessoal, mas que o faça quando estiver em casa, longe do ambiente da seleção. Na seleção não tratamos de política, tratamos só de futebol”.

BOM DIZER: Marcos Aoás Corrêa, paulistano, revelado desde os oito anos, em 2002, na base do Corinthians, campeão da Copa São Paulo em 2012, saiu no mesmo ano, pouco depois de se tornar profissional, para a Roma (30 jogos), que o comprou por 9 milhões de euros e o vendeu por 32 milhões de euros ao PSG, seu clube desde 2013 (315 jogos), com 24 títulos no currículo: seis vezes campeão francês; da Copa da Liga Francesa; da Copa e da Supercopa da França.

A ESTREIA – A menos que o Supremo Tribunal Federal decida na reunião de emergência, amanhã (10), que a Copa América não será realizada no país – o que parece pouco provável -, a abertura está marcada para domingo (13), no estádio Mané Garrincha, em Brasília, com Brasil x Venezuela, às 18 horas. Os outros jogos da seleção brasileira (Grupo A): dia 17 com o Peru; 23 com a Colômbia, e 27 com o Equador. 

GRUPO B – Argentina e Chile abrirão o Grupo B, segunda (14), às 18 horas, e Paraguai x Bolívia, às 21 horas. Chile e Uruguai completam o grupo. As quartas de final serão nos dias 2 e 3 de julho; as semifinais, nos dias 5 e 6; a decisão do terceiro lugar, dia 9, e a final da Copa América 2021, domingo, 10 de julho, às 21 horas, no Maracanã. O prêmio ao campeão é de 10 milhões de dólares, mais 2.500 mil dólares do que foi pago em 2019 ao Brasil.

CAMPEÕES – Disputado desde 1916 com o nome de Campeonato Sul-Americano, o torneio das principais seleções do continente passou a ser Copa América em 1975. No total dos títulos, o Uruguai é o maior campeão com 15, seguido da Argentina com 14. O Brasil tem 9 títulos e será sede pela sexta vez, segunda consecutiva: 1919, 1922, 1949, 1989, 2019 e 2021. O Brasil ficou 40 anos sem o título, entre 1949 e 1989. Campeão em 2019, tentará o segundo título consecutivo.

Foto: Lance!