O Flamengo perdeu em duas instâncias e terá que jogar amanhã (27) com o Palmeiras, no Allianz Parque, em São Paulo, pela décima segunda rodada do Campeonato Brasileiro, mesmo sem contar com a maioria de seus titulares, infectados pelo novo coronavírus, pandemia que desprezou, e agora paga o preço da pressa de ter liderado a campanha pela antecipação da volta do futebol. Um preço que pode ser ainda mais alto, se conseguir também antecipar a volta do público ao estádio.

O Flamengo tratou o adiamento do jogo, negado pela Confederação Brasileira de Futebol e pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva, como “uma questão de saúde pública”, depois que vários de seus profissionais foram infectados. Uma posição bem diferente da que adotou ao ir a Brasília, pedir que o campeonato carioca, no auge da pandemia, fosse reiniciado, e que também contrasta com a liderança que assume pelo retorno do público ao estádio, quando os casos de infecção voltam a aumentar no Rio.

O Flamengo talvez não esperasse, mas teve que ouvir o que disse Otávio Noronha, presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, ao indeferir o pedido de adiamento do jogo: “O interesse privado e egoistico do Flamengo não pode prevalecer”. Antes dele, o secretário-geral Walter Feldman, da Confederação Brasileira de Futebol, já havia indeferido o pedido de adiamento, e dito: “O Flamengo, como qualquer outro clube participante, pode inscrever até 40 jogadores”.

O Flamengo ainda tenta não jogar, mas avalia as consequências, que podem ser bem mais duras, não se limitando à derrota por walkover (vitória fácil, na tradução mais comum em inglês), com o placar de 3 x 0. A CBF pode adotar punição mais pesada, o mesmo acontecendo com a Conmebol, com relação ao jogo da próxima quarta (30), no Maracanã, com o Independiente del Valle, pela Libertadores. O presidente Alejandro Dominguez pode até excluir o Flamengo do torneio no ano seguinte.

Imagem: Urubu Interativo