Os méritos do cidadão português Antonio Soares Calçada – 16/4/1923 – 5/8/2019 -, que chegou ao Brasil em 1935 e sete depois era admitido como sócio do Clube de Regatas Vasco da Gama, vão além, muito além, das várias conquistas que fizeram dele o presidente mais vitorioso de uma das agremiações sócio-esportivas mais laureadas e respeitadas do continente sul-americano. Calçada deixa a marca do trabalho do dirigente dedicado, que sempre se destacou pela comptência e honestidade.

ANTONIO SOARES CALÇADA tornou-se conselheiro do Vasco em 1948, seis anos após ser admitido como sócio contribuinte, e exerceu o primeiro cargo em 1950, no auge do futebol do clube – primeiro campeão do Maracanã e base da seleção brasileira, com o notável Ademir Marques de Menezes – 1922 – 1996 -, primeiro artilheiro do novo estádio e da primeira Copa do Mundo no Brasil -, como diretor de tênis de mesa. Dois anos depois, em 1950, passou a diretor de patrimônio e a assessor da presidência.

ANTONIO SOARES CALÇADA soube seguir o exemplo de Cyro Aranha, autor da frase mais bonita da história do clube: “Enquanto houver um coração infantil, o Vasco será imortal”. Cyro fez o futebol do Vasco admirado e respeitado, com a formação do Expresso da Vitória, orgulho dos vascaínos dos anos 40/50, com cinco títulos cariocas em oito anos, entre 1945 e 1952. Em 45, 47 e 49 o Vasco foi campeão invicto e com goleadas que levaram os torcedores ao delírio, como a da virada de 5 x 2 no Flamengo.

MINHA SAUDOSA amiga Dulce Rosalina Ponce de Leon, torcedora-símbolo, que sempre incentivou meu trabalho de repórter na época de ouro do rádio, chegava bem cedo ao Maracanã, nos dias de jogos, e estendia na arquibancada uma faixa que traduzia bem seu orgulho: “Campeões existem muitos. Invicto, só o Vasco”. Dulce dizia que “Calçada foi o melhor presidente do Vasco”.

CALÇADA me contou certa vez, quando almoçamos na Penha, que a administração de Cyro foi sua referência, e aplicou muito do que aprendeu. Calçada foi o presidente do primeiro tricampeonato carioca – 92/93/94 – do Vasco no Maracanã, onde antes ganhou em 82, 87 e 88, em finais históricas, em que o Vasco venceu todas (1 x 0), sem sofrer gol do Flamengo. A Libertadores de 1998, até hoje a única do clube, foi uma das conquistas marcantes do seu trabalho, reconhecido pela grande torcida vascaína.

O FUTEBOL DO VASCO, presidido por Antonio Soares Calçada, ganhou também três títulos brasileiros em 89, 97 e 2000, ano em que foi o campeão da Copa Mercosul. Bem antes disso, Calçada teve participação especial no título inédito do futebol carioca, em que o Vasco é o único Supersupercampeão, em 1958, meu primeiro ano como repórter de rádio. Meu amigo Francisco de Souza Ferreira – Gradim – era o técnico do time liderado pelo notável capitão Hideraldo Luis Bellini, titular em todos os jogos e o primeiro brasileiro a erguer a taça de campeão do mundo.

QUADRAGÉSIMO PRIMEIRO PRESIDENTE, o mais reeleito da história do Clube de Regatas Vasco da Gama, Antonio Soares Calçada sai de cena, aos 96 anos, duas semanas antes dos 121 anos de fundação de uma das maiores e mais respeitadas instituições sócio-esportivas do país, com prestígio e reconhecimento internacional. Com certeza, o Vasco saberá manter viva a memória de um de seus presidentes mais capazes, entre os que fizeram pela sua grandeza. A grandeza do Vasco é igual aos diamantes. Os diamantes são eternos.

Foto: Divulgação/Vasco