Campeão paulista depois de doze anos e da Libertadores depois de vinte e um anos, e um dos clubes que mais investem, o Palmeiras está negativado, e entrou na história do futebol brasileiro , com a pior participação de um time sul-americano no Mundial de clubes. Ida e volta, 23.728 km, 28 horas de voo São Paulo-Doha-São Paulo, para disputar dois jogos, sem marcar sequer um gol, e perder a decisão do terceiro lugar para um modesto africano. Afinal, o que o Palmeiras foi fazer no Catar?

BOM LEMBRAR – O Mundial de clubes passou a ter essa denominação em 2000, quando a FIFA assumiu a organização e fez o torneio no Brasil, com a final no Maracanã. O Corinthians foi campeão com 4 x 3 nos pênaltis, após 0 x 0 nos 90 minutos com o Vasco. A disputa só recomeçou em 2005, no Japão, com o São Paulo campeão, 1 x 0 no Liverpool, e o Brasil repetiu o título em 2006, com 1 x 0 do Internacional no Barcelona, e em 2012, com 1 x 0 do Corinthians no Chelsea.

NOVE VEZES VICE – Cruzeiro (76-97), Vasco (98-2000), Grêmio (95-2017), Palmeiras (99), Santos (2011) e Flamengo (2019) são as nove vezes em que o futebol brasileiro perdeu a decisão do Mundial de clubes. Bom lembrar que em sete outras decisões, o futebol brasileiro ganhou o título, a partir do bi de 62-63 do Santos; do Flamengo em 81; do bi 92-93 do São Paulo, que conquistou o terceiro título em 2005, e do Internacional, campeão de 2006, todos dentro de formato antigo de disputa.

SEM BRILHO – O Palmeiras se concentrou muito na reta final da Libertadores, que ganhou, a meu juízo, sem brilho, na decisão com o Santos, superior em boa parte do jogo do sábado, 30 de janeiro. A ida ao Catar estava cercada da expectativa do segundo título mundial, após o distante 1951, que a FIFA reconhece, mas não dá igual tratamento à II Copa Rio, dentro dos mesmos moldes e com equipes tão ou até mais expressivas, que o Fluminense ganhou em 1952, no mesmo cenário do Maracanã.

WEVERTON, Mayke, Luan, Gustavo Gomez e Viña; Felipe Melo, Patrick de Paula (Danilo) e Raphael Veiga (Scarpa); Rony, Willian (Gabriel Menino) e Luiz Adriano – o Palmeiras, último do Mundial de clubes 2020, que nem nos pênaltis soube ganhar do Al Ahly, do Egito, no décimo jogo de sua história com equipes da África,na maior decepção do futebol sul-americano na história do torneio da FIFA. Afinal, o que o Palmeiras foi fazer no Qatar?

Foto: Cesar Greco / Ag. Palmeiras