NESTE DOMINGO EM QUE O CARIOCA OTO GLÓRIA faria 105 anos, nascido na 3ª feira, 9 de janeiro de 1917, na Tijuca, é bom lembrar, que foi o técnico brasileiro que alegrou Portugal, com o terceiro lugar, a melhor colocação das sete Copas do Mundo de que a seleção participou, e a única em que teve o artilheiro. Portugal não disputou as sete primeiras, e superou todas as expectativas, ao estrear em 1966, quando só perdeu para a anfitriã Inglaterra, campeã pela única vez.

A EXEMPLO DA MAIORIA DOS EUROPEUS, PORTUGAL não quis participar da 1ª Copa, em 1930, “porque o Uruguai era muito longe e a viagem de navio seria de um mês”. E não se classificou para as seis Copas seguintes, de 1934 a 1962, só conseguindo a vaga, pela primeira vez, em 1966, com vitórias expressivas nas oitavas de final: 3 x 1 na Hungria, 3 x 0 na Bulgária e 3 x 1 no Brasil, eliminando os então bicampeões, embora com poucos dos que brilharam em 58 e 62.

PORTUGAL TEVE NAS QUARTAS DE FINAL a mais expressiva reação dos então 45 anos de história de sua seleção, que disputou o primeiro jogo no domingo, 18 de dezembro de 1921, perdendo por 3 x 1 o amistoso com a Espanha, em Madrid. No sábado, 23 de julho de 66, no Goodison Park, em Liverpool, Portugal teve uma virada épica, por 5 x 3 sobre a Coreia do Norte, que fez 3 x 0 em 24 minutos, com quatro gols de Eusébio, e o da vitória, de José Augusto.

Jogo-treino entre a selecção nacional AA e a selecção olimpica disputado no Estádio Nacional, no Jamor. Terminou com a vitória da selecção nacional AA por 3-0. Otto Glória, selecionador nacional durante o treino. Arquivo DN. © Proibido o uso editorial sem autorização da Global Notícias.Esta fotografia não pode ser reproduzida por qualquer forma ou quaisquer meios electrónicos, mecânicos ou outros, incluindo fotocópia, gravação magnética ou qualquer processo de armazenamento ou sistema de recuperação de informação, sem prévia autorização escrita da Global Notícias.

A ÚNICA DERROTA DE PORTUGAL foi na semifinal, em que Bobby Charlton marcou os dois gols dos ingleses, e Eusébio, de pênalti, descontou quase no final de um jogo bem disputado e de elevado nível técnico. A então União Soviética, hoje Rússia, perdeu por igual placar na outra semifinal com a Alemanha, e na decisão do 3º lugar, com 88 mil torcedores no estádio de Wembley, Portugal ganhou por 2 x 1, com os gols de Eusébio, e Torres, a dois minutos do final.

BOM LEMBRAR: José Pereira, Batista, José Carlos, Hilario e Alberto Festa; Jaime Graça e Mario Coluna (cap); José Augusto, Eusébio, Torres e Simões – a seleção de Oto Glória, no 3º lugar de 1966, a melhor colocação de Portugal nas sete das treze Copas do Mundo de que participou. Em 30 jogos, 14 vitórias, 6 empates, 10 derrotas, 49 gols marcados, 35 gols sofridos. No Benfica, Oto foi duas vezes campeão português, e três vezes da Taça de Portugal, que também ganhou nos bons tempos do Belenenses.

VALE DIZER: 40 ANOS APÓS OTO GLÓRIA, Portugal ficou com a segunda melhor colocação em Copas do Mundo, o 4º lugar em 2006, com o gaúcho Luis Felipe Scolari. Nada contra os técnicos portugueses, mas em outras cinco Copas, não foram além da 1ª fase, em 86 com José Torres, um dos craques de 66; em 2002 com Antonio Oliveira; 2010 com Carlos Queiroz; 2014 com Paulo Bento, e em 2018 com Fernando Santos, ainda tentando vaga para 2022 na repescagem.

ABEL FERREIRA MOSTROU COMPETÊNCIA como primeiro europeu a ganhar duas vezes consecutivas a Libertadores com o Palmeiras, o que Jorge Jesus havia conseguido, dois anos antes, com o título de 2019, ao tirar o Flamengo da longa fila de espera de 38 anos. Agora, Paulo Sousa, que deixou a Polônia na repescagem, está chegando, depois de um 2021 em que o Brasileiro, a Copa do Brasil e a Libertadores aumentaram a coleção de taças. Só que em outros salões.

Foto: Orgulho de Ser Lusa / Diário de Notícias