Com 318 gols em 642 jogos, o meia-atacante Andrey Shevchenko tornou-se o maior nome do futebol da Ucrânia, seleção que classificou ontem (29) para as quartas de final da Eurocopa, sábado (3) com a Inglaterra, no Estádio Olímpico de Roma. O hoje treinador escapou da morte,  quando o reator 4 da central nuclear de Chernobil teve problema técnico e liberou uma imensa nuvem radiativa, matando colegas de infância. Shevchenko ficou traumatizado quando viu os filhos dos amigos nascerem sem forma física de um ser humano, após o acidente do sábado, 26 de abril de 1986. 

A CARREIRA – Shevchenko teve uma ascensão rápida na carreira, após a formação na base do Dínamo de Kiev, e ao ser lançado pelo lendário técnico Valeriy Lobanovskiy na equipe principal, foi cinco vezes artilheiro e campeão da Ucrânia. Fez três gols nos jogos em que o time eliminou o Real Madrid da Champions 98-99 (1-1 em Madrid, 2 x 0 em Kiev), e o clube recebeu propostas do Manchester United, Barcelona, Milan e do próprio Real Madrid.

O TÚMULO – O Milan superou as propostas e Shevchenko correspondeu como artilheiro e campeão, italiano e da Liga dos Campeões, convertendo o pênalti decisivo com a Juventus, logo na primeira temporada (2003). Emocionado, dedicou os títulos a Lobanovski, seu primeiro técnico, que morreu um ano antes. E mais: colocou a medalha de campeão italiano em um estojo transparente de acrílico e a colocou no túmulo de Lobanovski.

DIAMANTE RARO – Shevchenko não esquece o que lhe disse o técnico, ainda na base do Dínamo de Kiev, após o trágico acidente de Chernobil: “Você é um diamante raro. Vou dar em você um polimento especial, treino a treino, jogo a jogo”. No ano seguinte, continuando a brilhar no Milan, Shevchenko ganhou o prêmio cobiçado por todo jogador, a Bola de Ouro, superando Ronaldinho, do Barcelona, que depois ganharia duas consecutivas, e Deco, então no Porto. 

INGLATERRA – Em 2006 o londrino Chelsea renovou o interesse e Shevchenko acertou a saída do Milan, a pedido da esposa Kristen Pazik, modelo norte-americana, que queria a mudança para um país de língua inglesa para educar o filho. Shevchenko não guarda boas lembranças da Inglaterra: sofreu algumas contusões e não se relacionou bem com José Mourinho, “bom técnico, mas de temperamento difícil”. O Chelsea relutou, mas acabou cedendo.

AMOR AO MILAN – Shevchenko diz que “a passagem pelo Chelsea foi um pesadelo na minha vida e na minha carreira”. A 7, que era sua, passou a ser de Pato, contratado com sua saída: “O Pato disse que trocaria de número, mas agradeci e escolhi 76, ano em que nasci”. Shevchenko tem verdadeiro amor ao Milan: “É o clube do meu coração e serei sempre rossonero (vermelho e preto, em italiano)”.

NA SELEÇÃO – Shevchenko jogou na seleção de 94 a 2012, com participação especial na classificação para a Copa do Mundo de 2006: “Caímos nas quartas de final para a Itália, que seria a campeã, mas foi o nosso melhor desempenho, desde o desmembramento da União Soviética”. Em 11 de junho de 2012, Shevchenko marcou os gols na virada de 2 x 1 na Suécia, na Eurocopa, despedindo-se da seleção, após 18 anos, muito aplaudido em Kiev, a capital da Ucrânia. 

SÓ DIFÍCIL – Sobre a decisão da vaga para a semifinal, o técnico diz que “é só difícil, não é impossível. Poucos pensavam que a Ucrânia pudesse ganhar da Suécia, mas ganhou. A Inglaterra pode até entrar com as honras, mas nem sempre a vitória é do favorito. A Ucrânia é uma seleção disciplinada taticamente e vai tentar continuar mostrando isso”. Antes de se consagrar com a bola nos pés, Shevchenko usou mais as mãos: gostava de jogar golfe e hóquei no gelo.

Foto: Twitter / Trivela / Chealse Brasil