PAULO SOUSA É O 13º TÉCNICO ESTRANGEIRO, 6º EUROPEU, 4º PORTUGUÊS da história do Flamengo, que teve dois uruguaios, dois paraguaios, um argentino, um colombiano e um espanhol. De 1912 a 1920, os clubes cariocas não tinham um técnico para dirigir o time, mas uma comissão técnica, com a denominação de Ground Committée. Os termos em inglês (goal-keeper, goleiro; full-back, zagueiro; referee, árbitro) eram muito usados até o final dos anos 50.

RAMON PLATERO, uruguaio, campeão sul-americano de 1917, foi o primeiro técnico estrangeiro do Flamengo, sem título, em 3 vitórias, 2 empates, 3 derrotas, em 1921, após campeão carioca pelo Fluminense em 1919. Incrível, mas verdadeiro: pela manhã, Platero treinava o Vasco, que havia acabado de entrar no futebol e disputava a 2ª divisão, e à tarde treinava o Flamengo. Ele também dirigiu Botafogo, Palmeiras, Santos e São Paulo. Morreu em Santos em 1950.

JUAN CARLOS BERTONE, ex-zagueiro uruguaio, foi o primeiro técnico estrangeiro campeão carioca no Flamengo, em 1925, com 14 vitórias, 3 empates, 1 derrota, saldo de 43 gols (61 a 18). A escalação da época, no 2-3-5: Batalha, Hélcio e Pennaforte; Japonês, Roberto e Mamede; Newton, Candiota, Vadinho, Nonô e Moderato. Na final, no estádio da Rua Paysandu, Flamengo 4 x 0 América, com 2 gols de Nonô, artilheiro do campeonato com 29.

CHARLES ALBERT WILLIAMS, goleiro inglês, foi o primeiro técnico europeu do Flamengo, em 1930-31. Não ganhou título e foi o que mais perdeu: 22 derrotas em 38 jogos, com 14 vitórias e 2 empates. Antes, ele dirigiu o América e o Botafogo, e entrou na história do Fluminense como goleiro do primeiro Fla-Flu, em 7 de julho de 1912, nas Laranjeiras: 3 x 2 Fluminense.

DORI KURSCHNER, ex-atacante húngaro, foi o segundo técnico europeu do Flamengo, em 1937, quando lançou no Brasil o sistema WM, que a maioria dos treinadores brasileiros passou a adotar, entre eles Zezé Moreira, campeão carioca em 48 no Botafogo e em 51 no Fluminense. Sem títulos em 37 no Flamengo e em 38 no Botafogo, foi considerado na época um revolucionário no futebol brasileiro. Com 69 jogos, foi o europeu que mais dirigiu o Flamengo.

ERNESTO SANTOS, zagueiro campeão em 1936-37, no Porto, foi o quinto técnico estrangeiro, terceiro europeu e primeiro português, a dirigir o Flamengo em 1947, com 27 vitórias, 10 empates, 10 derrotas, sem título. Chegou ao Brasil em 1940, foi professor da UFRJ e da UERJ, e contratado como assistente-técnico do Vasco, em 1946, que colocou um anúncio no Jornal do Brasil. Foi observador da seleção brasileira que ganhou a primeira Copa do Mundo em 1958.

CÂNDIDO DE OLIVEIRA, capitão do primeiro jogo da seleção de Portugal, em 1921, foi o quarto técnico europeu, segundo português a dirigir o Flamengo, em 1950, sem título, em 13 jogos: 4 vitórias, 2 empates, 7 derrotas. Campeão português em 46-47 no Sporting, comandou a seleção nos Jogos Olímpicos de 1928. Foi um dos fundadores do jornal A Bola e tem o nome da Supertaça de Portugal Cândido de Oliveira como homenagem da Federação Portuguesa.

FLEITAS SOLICH, ex-meia, campeão paraguaio pelo Guarani e argentino pelo Boca, como capitão do time, foi o técnico do 1º tricampeonato do Flamengo no Maracanã (53-54-55), contratado após vencer o Brasil na final do Sul-Americano de 53, em Lima. Em 61 ganhou o Rio-São Paulo, e em sua última passagem, em 71, a Taça Presidente Medici. Foi o técnico estrangeiro que mais dirigiu o Flamengo, com 175 vitórias, 47 empates, 54 derrotas em 276 jogos. 

MODESTO BRIA, meia que Ary Barroso foi buscar de avião monomotor no Paraguai, foi da famosa linha média Biguá-Bria-Jayme, do 1º tricampeonato (42-43-44), e depois dirigiu o Flamengo em 59-60 e em 67, sem título, ganhando 27 dos 46 jogos. Acompanhando o futebol de praia, em Copacabana, Bria convidou Junior para treinar na Gávea, mas, sempre humilde, pedia para não ser citado como descobridor do craque.

ARMANDO RENGANESCHI, zagueiro argentino, bicampeão carioca em 40-41 no Fluminense, foi o técnico do título histórico do IV Centenário do Rio de Janeiro que o Flamengo ganhou em 1965. Sempre muito elegante, usava traje completo na boca do túnel, onde os técnicos ficavam na época no Maracanã. Foi o segundo que mais dirigiu o Flamengo, com  55 vitórias, 33 empates, 39 derrotas, em 127 jogos. 

REINALDO RUEDA, sem ter sido jogador profissional, o treinador colombiano dirigiu o Flamengo em 31 jogos, com 13 vitórias, 10 empates, 8 derrotas, em agosto de 2017, e perdeu duas decisões: a da Copa do Brasil para o Cruzeiro (5 x 3 nos pênaltis, após 0 x 0 no Mineirão) e a da Copa Sul-Americana para o Independiente, que venceu 2 x 1 na Argentina e empatou 1 x 1 no Maracanã. 

JORGE JESUS, na temporada 2019-20, comandou o time em 57 jogos, com 43 vitórias, 10 empates, 4 derrotas. Ganhou o Brasileiro e a Libertadores 2019; a Supercopa do Brasil, a Recopa Sul-Americana e o Carioca 2020. Conseguiu fazer do Flamengo campeão da Libertadores depois de 38 anos, mas teve medo de jogar em igualdade com o Liverpool e perdeu o Mundial de clubes no Catar. 

DOMÈNEC TORRENT, técnico espanhol que o Flamengo contratou em 2020, por ter sido assistente de Guardiola, foi o fracasso total, sem título, com 13 vitórias, 4 empates, 6 derrotas em 23 jogos. Desde então não teve convite de outro clube.

CINCO BRASILEIROS QUE MAIS DIRIGIRAM O FLAMENGO

FLÁVIO COSTA, ex-meia, técnico campeão carioca de 1939, do primeiro tricampeonato 1942-43-44 e em 1963, teve quatro passagens no Flamengo, entre 1934 e 1965. Recordista absoluto de jogos no comando do time: 777, com 443 vitórias, 150 empates, 184 derrotas, saldo de 841 gols (1.924 a 1.083). Com 5 títulos no Flamengo e 3 no Vasco, primeiro campeão no Maracanã, é o técnico mais vezes campeão carioca.

CARLINHOS, ex-meia, campeão carioca 63-65 e do Rio-São Paulo 61, dirigiu o Flamengo entre 1983 e 2000, com 158 vitórias, 84 empates, 71 derrotas em 313 jogos. Técnico campeão carioca 91, 99, 2000 e brasileiro 92. Pela técnica refinada, ganhou de Waldir Amaral o apelido de Violino.

ZAGALLO – Ponta-esquerda do primeiro tricampeonato no Maracanã (53-54-55), dirigiu o Flamengo entre 1972 e 2001, em 284 jogos, com 137 vitórias, 66 empates, 81 derrotas. Estreou e se despediu como técnico campeão carioca no Flamengo, em 72 e 2001.

CLAUDIO COUTINHO – Foi o quarto técnico brasileiro que mais comandou o Flamengo, em 266 jogos – 180 vitórias, 59 empates, 27 derrotas -, entre 1976 e 1980. Foi campeão carioca 78-79-79 (Especial) e campeão brasileiro em 80.

VANDERLEI LUXEMBURGO – Quinto técnico, em três passagens, entre 91-95 e 2014-15, dirigiu o Flamengo em 241 jogos, com 123 vitórias, 67 empates, 51 derrotas. Só foi campeão carioca em 2011, depois de ter sido jogador campeão em 72, 74 e 78.

Fotos: Terceiro Tempos / Mundo Rubro Negro