Mesmo com a gravidade de um caso que chocou o futebol, pela morte de dez jovens que dormiam em contêineres impróprios, no incêndio da madrugada de 8 de fevereiro de 2019, a tragédia do Ninho do Urubu continua sem a solução que as famílias de todas as vítimas, e a sociedade em geral, não esperavam que fosse demorar tanto. Não há quem deixe de estranhar, que hoje, 8 de setembro de 2020, dezenove meses depois, o caso possa continuar sendo tratado, pelo clube e pelas autoridades, com tanta lentidão.

Bom lembrar que o Ministério Público fez duras críticas ao clube pela maneira como conduziu as negociações com as famílias das vítimas da tragédia. Constam do próprio documento do Ministério Público: “O Flamengo vem procurando mitigar pagamentos de indenizações às famílias das vítimas do incêndio, provocando o aumento do desespero, em tentativa clara de não sofrer qualquer prejuízo econômico, decorrente do fato gravíssimo a que o próprio clube deu causa.

Um ano e sete meses depois da morte de dez jovens, por culpa exclusiva do clube, e em circunstâncias tão chocantes e dolorosas, é incrível a demora e a falta de sensibilidade na solução completa de um caso gravíssimo, em que os responsáveis continuam sem punição. Não dá para acreditar.