Neste segundo domingo (8) de novembro de 2020, a uma semana dos 122 anos do Flamengo, faz 21 meses da tragédia do Ninho do Urubu, onde dez jovens da base do futebol do clube morreram em incêndio no final da madrugada, enquanto dormiam em instalações inadequadas. O Flamengo sabia, de acordo com a Defensoria Pública, da situação de grande risco, devido aos problemas elétricos, por conta das precárias instalações, nove meses antes do incêndio.

Quase dois anos depois, um caso chocante, de tamanha gravidade e repercussão mundial, continua a desafiar a lei do tempo, sem que os responsáveis sejam identificados e punidos, como já deveria ter acontecido. A Defensoria Pública reconhece, o que por ela própria classifica como “jogo de empurra”, para se livrar da responsabilidade. É consenso que o Flamengo não pode continuar dizendo que o responsável foi o técnico do ar condicionado, quando toda a instalação estava errada.

Não há como deixar de reconhecer a responsabilidade, única e exclusiva do clube, pela morte dos dez jovens. A Defensoria Pública diz também que os acordos feitos com as famílias, para pagamento de indenização, que não vai trazer nenhuma vida de volta, sejam revistos. O que o Flamengo propôs, e acertou com algumas famílias, está muito aquém da realidade. A solução não termina com os acertos financeiros. É preciso que os responsáveis paguem com alguns anos de reclusão. Se é que há lei.

Foto: Jornal Hoje em Dia