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Durante quase dez anos, os 6 x 0 do Botafogo deixaram o Flamengo muito traumatizado, ainda mais porque a goleada foi no dia do aniversário de 77 anos do clube, em 15 de novembro de 1972, em jogo do Campeonato Brasileiro. O Botafogo, do técnico Sebastião Leônidas, já saiu para o intervalo com 3 x 0, Jairzinho aos 15, Fischer aos 35 e 41. O Flamengo, do técnico Zagallo, não reagiu, voltou a errar muito e o Botafogo completou a goleada: Jairzinho aos 23 e aos 38, de letra, e Ferreti aos 43. Renato era o goleiro do Flamengo e Cao, o do Botafogo. Árbitro, José Assis Aragão. 46.279 pagantes.

OS 6 x 0 DO FLAMENGO NO BOTAFOGOA uma semana de completar dez anos, o Flamengo deu o troco no que ficou marcado como Jogo da Vingança, em 8 de novembro de 1981. O Botafogo levava a faixa Nós gostamos de Vo6, que Tarzã, chefe da torcida, estendia na arquibancada. No primeiro tempo, 4 x 0: Nunes aos 7, Zico aos 27, Lico aos 33 e Adílio aos 40. Quando Zico fez o quinto, de pênalti, aos 30, o coro foi forte: “Queremos 6!, queremos 6!”. Andrade, aos 43, fez o sexto. Os goleiros eram outros: Raul, do Flamengo, e Paulo Sergio, e os técnicos também: Carpegiani, do Flamengo, e Paulinho de Almeida. Árbitro, Edson Amorim. 69.051 pagantes.

OS MAIORES PÚBLICOS DO MARACANÃ

O Fla-Flu do domingo, 15 de dezembro de 1963, em que o 0 x 0 deu ao técnico Flávio Costa seu oitavo e último título carioca, é recordista mundial de pagantes – 177.020 -, em jogo de times da mesma cidade. A PM teve que tirar torcedores da marquise e o público total foi de 194.603. O árbitro Claudio Magalhães, que seis anos depois seria padrinho de batismo do meu filho Fábio, apitou o encerramento quando a bola estava nos braços do bom goleiro mineiro Marcial, que no ano seguinte se formaria em Medicina. Do outro lado, Castilho, melhor goleiro e recordista de jogos da história do Fluminense (697, 225 sem sofrer gol).

Brasil 1 x 0 Paraguai, gol de Pelé, o da classificação à Copa de 70, no domingo, 31 de agosto de 1969, é o recordista de público da história dos 70 anos do Maracanã: 183.341 pagantes, com os cálculos de que o estádio recebeu mais de 195 mil. Décima vitória em onze jogos do técnico João Saldanha, admirável também como analista, com quem cobri as quatro Copas seguintes. Gaúcho do Alegrete, morreu aos 73 anos, em Roma, comentando para a TV Manchete a Copa do Mundo de 1990.

O DOMINGO ESPECIAL DO DEUS DA RAÇA

Fui testemunha, ocular e auditiva, do gol que deu ao Flamengo o décimo oitavo título carioca, no início da noite do domingo, 3 de dezembro de 1978, em decisão com o Vasco, que jogava pelo empate. Quando o lateral Marco Antonio mandou a bola a escanteio, eu estava ao lado do fotógrafo uruguaio Tchê, que pegou a bola e jogou para Zico: “Bate rápido, Galo, tá acabando“. Zico bateu no meio da área, Rondinelli subiu mais que Abel e fez o gol no canto direito de Leão, aos 43 minutos. O único gol em seis jogos do notável zagueiro, que os rubro-negros imortalizaram como “Deus da Raça”. 120.433 pagantes no Maracanã.

O GOL DE BARRIGA DE RENATO GAÚCHO

Na próxima quinta (25), faz um quarto de século que o Maracanã viu, pela única vez, um campeão com gol de barriga, o de Renato Gaúcho, aos 41 do segundo tempo. O Fluminense, do técnico Joel Santana e sua prancheta, comemorou o título de 1995, com sabor muito especial, por ser o ano do centenário do Flamengo, que contratou Romário, Branco e Mazinho, campeões mundiais de 94, e o técnico Luxemburgo, bicampeão brasileiro 93-94 no Palmeiras. 109.204 pagantes no Maracanã.

A FARSA DO JOGO DA FOGUETEIRA

Brasil x Chile, domingo, 3 de setembro de 1989, com 134 mil torcedores, foi o único jogo da seleção, que não acabou, na história do Maracanã. O Brasil vencia (1 x 0, gol de Careca, aos quatro do segundo tempo), quando Rosinery Melo, de 24 anos, tricolor de São Gonçalo, funcionária da Light, pela primeira vez no estádio, lançou, da arquibancada ao gramado, um sinalizador, que caiu distante do goleiro Roberto Rojas. Ele aproveitou e cortou o supercílio com uma lâmina que guardava nas meias, caiu e foi carregado para o vestiário com a camisa ensanguentada.

O árbitro argentino Juan Carlos Loustau encerrou o jogo e transferiu o problema para a FIFA, que suspendeu o Chile da Copa de 94, suspendeu por quatro anos o zagueiro Astengo e baniu o goleiro Rojas. Só em 2001 ele obteve perdão e passou a ser treinador de goleiros do São Paulo. Muito arrependido, Roberto Rojas comentou tempos depois: “Cortei a minha própria dignidade“. Rosinery ficou conhecida como Fogueteira do Maracanã,  ganhou capa na revista Playboy e morreu de aneurisma cerebral, aos 45 anos, em junho de 2011.

A MEDALHA OLÍMPICA DE OURO

Depois de três pratas, em 1984, 1988 e 2012, quando perdeu a decisão para o México, no Estádio Olímpico de Londres, o Brasil ganhou a medalha de ouro, no Maracanã, ao vencer (5 x 4 nos pênaltis) a Alemanha, depois de 1 x 1 no tempo normal e na prorrogação. A final da tarde do domingo, 20 de agosto de 2016, diante de 50 mil torcedores no Maracanã, revestiu-se de emoção e terminou com muita vibração pelo título inédito, ganho pelo técnico baiano Rogério Micale.

O Brasil suportou bem a pressão do jogo aéreo dos alemães e teve em Neymar, autor do gol de empate, figura decisiva na cobrança do último pênalti, ao deslocar o goleiro, que optou pelo lado direito para tentar a defesa. Com calma e paradinha, o atacante bateu de pé direito, no ângulo esquerdo. Finalmente, o futebol brasileiro conseguiu sua primeira medalha olímpica de ouro.

Fotos: Youtube.com, Torcedores, O Curioso do Futebol, El País, No ângulo, Reuters M. Sezer.