O único gol de Nilton Santos em Copa do Mundo, o segundo da seleção, nos3 x 0 na Áustria, em 8 de junho de 1958, no estádio de Uddevalla, na Suécia.

Hoje, 8 de junho de 2020, faz 62 anos que o futebol brasileiro deu a grande arrancada para ganhar a primeira Copa do Mundo, ao vencer (3 x 0) a Áustria, no estádio de Udevalla – 18 mil lugares -, município a 443 km de Estocolmo, capital da Suécia. Até a final de 29 de junho, só Gilmar, Bellini – faria 90 anos ontem (7) -, Orlando, Nilton Santos, Didi e Zagallo formariam o grupo seleto dos seis, em todos os seis jogos da campanha de cinco vitórias e um 0 x 0, com 4 gols sofridos e 16 marcados.

RIO 7, SÃO PAULO 4 – A seleção que o técnico paulista Vicente Feola, de 49 anos, escalou na estreia da primeira Copa que o Brasil ganhou tinha sete jogadores de times cariocas e quatro de times paulistas: Gilmar (Corinthians, 28 anos), De Sordi (São Paulo, 27), Bellini (Vasco, 29 anos no dia seguinte), Orlando (Vasco, 23) e Nilton Santos (Botafogo, 33); Dino Sani (São Paulo, 26) e Didi (Botafogo, 29); Joel (Flamengo, 26), Mazzola (Palmeiras, 19), Dida (Flamengo, 24) e Zagalo (Flamengo, 26).

NOVIDADES – A seleção apresentou como novidades na Copa de 58 o dentista Mario Trigo, que além de cuidar da saúde bucal, era grande contador de anedotas e distraía os jogadores, e o psicólogo João Carvalhaes, que iniciou seu trabalho com pugilistas e depois no futebol do São Paulo. Ele tropeçou feio, ao dizer que Pelé e Garrincha não reuniam condições para competição do porte de uma Copa do Mundo, mas o chefe da delegação, Paulo Machado de Carvalho, manteve ambos no grupo.

PEGOU PESADO – Sobre Pelé, que ainda iria completar 18 anos, o psicólogo limitou-se a dizer que era “imaturo e sem o preparo que a Copa do Mundo pede de um jogador”. Já com Garrincha, Carvalhaes pegou pesado: “Os testes psicotécnicos revelaram que Garrincha é mentalmente incapaz”. O psicólogo disse também que “Garrincha tem inteligência bem abaixo da média, possivelmente pela pouca instrução, porque só fez o primário”.  Linhas abaixo, trataremos do psicólogo…

Mazzola, autor de dois gols nos 3 x 0 da estreia do Brasil na Copa de 58, com o goleiro Rudolf Szvansald.

GOL HISTÓRICO – O Brasil estreou com 3 x 0 na Áustria, no primeiro jogo da história das seleções em Copa do Mundo. Mazzola fez 1 x 0 aos 38 minutos, e logo quatro minutos após a volta do intervalo, Nilton Santos marcou seu único gol em doze jogos em Copa e o último dos três que faria pela seleção, em 85 jogos, de 1949 a 1962. Só aos 43 foi que Mazzola marcou o terceiro gol. No jogo seguinte – 0 x 0 com a Inglaterra – perdeu muitos gols e também a posição.

A seleção da estreia na Copa de 1958, a primeira das cinco que o Brasil conquistou.
Em pé, De Sordi, Dino Sani, Bellini (cap), Nilton Santos, Orlando e Gilmar.
Agachados, massagista Mario Americo, Joel, Didi, Mazzola, Dida e Zagalo.

A HISTÓRIA – Após o único jogo em que a seleção não fez gol, o técnico Feola fez três substituições: saíram Dino Sani, Mazzola e Joel, entraram Zito, Pelé e Garrincha. Foi então no terceiro jogo, nos 2 x 0 na União Soviética (hoje Rússia), que começou a história: de 15 de junho de 58 a 12 de julho de 1966, com Pelé e Garrincha em campo, a seleção nunca perdeu: 36 vitórias, 4 empates. Por coincidência, no último jogo – 2 x 0 na Bulgária, em 12/7/66, em Liverpool –, eles fizeram os gols. Nunca se soube da reação do psicólogo, depois que Garrincha e Pelé arrebentaram juntos na primeira Copa…

RABO-DE-SAIA – Paulo Machado de Carvalho, dono da Record, 57 anos, chefe da delegação, pediu ao gerente do hotel que as jovens garçonetes louras fossem substituídas por garçons. Ele observou desde a primeira refeição: Garrincha não tirava o olho… Garrincha não podia ver um rabo-de-saia, dizia o dirigenteNo ano seguinte, quando voltou à Suécia com o Botafogo, Garrincha não fez por menos: namorou uma jovem universitária, que nove meses depois mandou uma carta para ele…

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