O time da decisão do Carioca de 1974 contra o Vasco – em pé: Renato, Júnior, Jaime, Luis Carlos, Zé Mário e Rodrigues Neto; agachados: Paulinho, Geraldo, Édson, Zico e Julinho.

O Flamengo perdeu aos 22 anos um de seus jogadores mais talentosos. Quem o viu se lembra sempre do futebol de alta categoria e técnica refinada de Geraldo, meio-campo campeão carioca de 1974, que ganhou o apelido de Assoviador porque jogava assoviando. Ele tinha extraordinário domínio de bola e ampla visão de jogo, sempre de cabeça em pé, olhando em todas as direções. Preciso nos lançamentos, jogava descontraído e alegre.

OS TÉCNICOS – Mineiro de Barão de Cocais, a 93 km de Belo Horizonte, ele nasceu Geraldo Cleófas Dias Alves, em 16 de abril de 1954, e teve os irmãos, Washington, ex-zagueiro do Flamengo, há anos vivendo em Portugal, e Lincoln, ex-volante do América Mineiro. Quem o promoveu do juvenil do Flamengo foi Zagallo, seu técnico na conquista da Taça Guanabara de 73.

AVAL DE ZICO – Geraldo era muito admirado por Zico, artilheiro e campeão de 74, com 19 gols em todos os 27 jogos da campanha, em que o time foi dirigido pelo ex-lateral Jouber Luis Meira. O time: Renato, Júnior, Jayme, Luis Carlos e Rodrigues Neto; Liminha, Zé Mario e Zico; Paulinho, Doval e Edson. Da campanha de 15 vitórias, 9 empates, 3 derrotas, 42 gols pró e 21 contra, Geraldo participou de 21 dos 27 jogos. 

COPA AMÉRICA – Geraldo fez sete jogos pela seleção brasileira, campeã em 76 da Taça Atlântico e da Copa Roca. Estreou em 30/9, no Mineirão -1 x 3 com o Peru -, e fez o último jogo – 3 x 1 no Paraguai -, em 9/6/76, no Maracanã: Leão (Palmeiras), Getúlio (Atlético MG), Miguel (Fluminense), Beto Fuscão (Grêmio) e Marco Antonio (Vasco); Givanildo (Santa Cruz), Geraldo (Flamengo) depois Neco (Grêmio) e Zico (Flamengo); Gil (Fluminense), Roberto (Vasco) e Flecha (Guarani) depois Edu Bala (Palmeiras). Técnico – Osvaldo Brandão.

Geraldo comemorando o gol contra o Vasco em 76

AMÍGDALAS – Geraldo Assoviador tinha inflamação crônica na garganta. Entrou no Rio-Cor, hospital na Rua Barão da Torre, em Ipanema, dirigido pelo médico Hélio Maurício, presidente do Flamengo de 74 a 76, às 7 da manhã de 26 de agosto de 1976. Vinte minutos após o início da cirurgia, com anestesia local, o otorrino Wilson Junqueira disse que Geraldo sofreu parada cardíaca. Morreu às 10h30m, de choque anafilático, provocado pela anestesia.

CINCO MIL torcedores, que chegaram também de outras cidades vizinhas e moradores de Barão de Cocais, na época com 15 mil habitantes, assistiram o sepultamento. A bandeira do município e a bandeira nacional estavam com uma tarja preta. Nilza Alves, mãe de Geraldo, não aceitou a parada cardíaca como causa da morte. O médico reafirmou que a cirurgia transcorreu sem problema e atribuiu aos antecedentes de saúde a causa da morte.

Foto: Coluna do Fla, blog flamengoalternativo e goal.com