Os jogadores do Santos e os fotógrafos esperaram Pelé terminar a entrevista com Deni Menezes, no gramado do Pacaembu, em maio de 1973, para que o time pudesse posar para a foto. (Acervo Pessoal)

Alegra-me muito registrar nesta quarta, 23 de outubro de 2019, o aniversário de 79 anos do eterno e único Rei do Futebol. Sou da geração dos que podem se considerar privilegiados por terem visto Pelé em campo, e penso que o baiano Dorival Caymi se inspirou nele, no verso da canção em que “João Valentão faz coisas que até Deus duvida”.

FOI O QUE Pelé – “o Deus de todos os estádios”, como dizia Waldir Amaral -, fez em várias parte do mundo, deixando incrédulos os que o viam driblar, muitas vezes sem tocar na bola, como no lance com o goleiro uruguaio na Copa de 70, e fazer gol sem ângulo. Até hoje, ouve-se muito: “Fulano quase fez o gol que o Pelé não fez”.

SE OS MAIS VELHOS se lembram, os mais novos precisam saber: Pelé foi 11 anos consecutivos artilheiro do Campeonato Paulista! No primeiro, em 1958, estabeleceu o recorde, que dificilmente será alcançado, de 58 gols! Entre 1956 e 1977, tornou-se o maior artilheiro da história do Santos, única camisa que vestiu no Brasil, com 1.091 gols!

28 TÍTULOS – Nenhum outro artista da bola conseguiu se aproximar da marca: 10 campeonatos paulistas; 5 Taças Brasil; 4 Torneios Rio-São Paulo; 2 Libertadores; 2 Mundiais de clubes; uma Taça de Prata; três Copas do Mundo e o campeonato da Liga dos Estados Unidos pelo Cosmos de Nova York.

GOL DE PLACA – Na tarde do sábado, 5 de março de 1961, no Maracanã, nasceu a expressão Gol de Placa. O Santos ganhou (3 x 1) do Fluminense e ao arrancar do meio do campo, Pelé ultrapassou seis marcadores com um pique notável, driblou o goleiro Castilho e fez o primeiro gol a ganhar placa no Maracanã.

FLUMINENSE – Pelé teve que jogar o amistoso Fluminense 2 x 1 Racca Rovers, em 26/4/78, em Lagos, para evitar uma tragédia. Ele estava na Nigéria, fazendo propaganda de eletrodoméstico, e foi convidado a dar o pontapé inicial. Mas o anúncio no jornal era de que ele jogaria, o que levou a lotação do estádio de 30 mil lugares a ser esgotada.

PELÉ NÃO FEZ gol e saiu no intervalo, porque havia encerrado a carreira há um ano, e o fôlego não permitia mais que um tempo. O Fluminense jogou todo de branco e venceu (2 x 1) com os gols do lateral Marinho Chagas e do meia Arthurzinho. Difícil foi segurar a multidão, que cercou a saída do vestiário.

VASCAÍNO – Pelé fez três amistosos com a camisa do combinado Vasco-Santos, em junho de 57, com destaque para os 6 x 1 no Belenenses, em que marcou três gols. O ataque era Iedo, Alvaro, Pelé, Jair Rosa Pinto e Pepe. Foi quando ele confessou: “Sempre gostei do Vasco. Sou vascaíno de coração, como meu pai também era”.

RUBRO-NEGRO – Pelé vestiu a 10 rubro-negra, na noite do amistoso Flamengo 5 x 1 Atlético, em 6/4/79, que arrecadou oito milhões de cruzeiros (moeda da época) e teve 139.953 pagantes, no Maracanã, para as vítimas de enchentes em Minas. Ele não quis bater o pênalti, retribuindo a gentileza de Zico, que jogou com a 9.

GOL 1000 – Repórter de rádio, vi de perto, na noite de 19 de novembro de 1969, Pelé marcar o gol 1000 de sua maravilhosa carreira. Foi no gol à esquerda da tribuna de honra, e o argentino Andrada, do Vasco, passou a ser chamado de Arqueiro do Rei. Na época, o termo arqueiro era muito usado para os goleiros. 

ATLETA DO SÉCULO – Em 15 de maio de 1981, Pelé recebeu em Paris o prêmio de Atleta do Século, eleito por jornalistas das 20 mais importantes publicações de esportes do mundo. O jornal L’Equipe fez um suplemento especial, com sete páginas, publicando na capa: “PELÉ, CAMPEÃO DO SÉCULO” – grifado em letras vermelhas.

INIGUALÁVEIS – Não há outro registro, na história do futebol, de dois notáveis, que jogando juntos em uma seleção nacional, nunca tenham perdido. Pelé e Garrincha são os inigualáveis. De 18 de maio de 1958 a 12 de julho de 1966, em 40 jogos da seleção, com Pelé e Garrincha em campo, 36 vitórias, 4 empates. 

HONRA-ME ter merecido sempre atenção especial de figura mundial tão marcante e expressiva. Enquanto diretor de marketing, durante 14 anos, da Francisco Xavier Imóveis, convivi com Pelé em eventos da empresa e o dirigi em comerciais de TV. Também fora de campo, nada parecido com a simplicidade do único e eterno Rei do Futebol.

Fotos: R7 Esportes, Mais Santos, Arquivo/AP, Luiz Paulo Machado, Keystone Features/Hulton Archive, Antonio Lucio, Museu do Futebol, Seatlle Times, Four four Two, ESPN, Gazeta Esportiva, Yahoo Esportes, JovemPan, Hindustan Times, Jornal Hoje em Dia e Getty Images.