GERSON, O CANHOTINHA DE OURO, completa 81 anos hoje, nascido no sábado, 11 de janeiro de 1941, em Niterói, seu endereço de sempre. Filho querido de dona Deolinda e de seu Clóvis, meia campeão carioca de 1935 no América, foi tudo muito rápido em sua ascensão, desde as peladas na praia de Icaraí ao São Domingos FC, do Gragoatá, bairro nobre da zona sul, e ao tradicional Canto do Rio FC, de onde logo saiu para o juvenil do Flamengo, em meados de 1958.

A CONVITE DE MODESTO BRIA, meia paraguaio do 1º tri do Flamengo (1942-43-44), Gérson foi treinar na Gávea em 58 e assinou contrato em 59. O 1º título, com 40 mil torcedores no Maracanã, foi o do Torneio Rio-São Paulo, com 2 x 0 no Corinthians, gols de Joel e Dida, no domingo, 23 de abril de 1961. O time, no 4-2-4 da época: Ari, Jouber, Jadir, Bolero e Jordan; Carlinhos (cap) e Gerson; Joel (Othon), Henrique, Dida (Norival) e Germano. Técnico, Fleitas Solich.

NO 1º TÍTULO CARIOCA, EM 63, GERSON só disputou os dois primeiros jogos: fez os gols dos 2 x 0 no Canto do Rio, no estádio Caio Martins, em Niterói (30/6/63), e o 1º nos 2 x 1 na Portuguesa, no Maracanã. Nos 22 jogos restantes, Nelsinho formou o meio-campo com Carlinhos. Na final de 62, Botafogo 3 x 0 Flamengo, Gerson não gostou de ser ponta, menos ainda de ser o primeiro a ter que marcar Garrincha. Em 63, tachou de “ridículos” os prêmios do Flamengo.

A CONTRAGOSTO, O PRESIDENTE Fadel Fadel não teve alternativa e vendeu Gerson ao Botafogo por R$3 milhões, uma fortuna na época. O Botafogo ganhou o Rio-São Paulo de 63 e 64 e o bi Carioca 67-68, com Gerson regente. Capitão, ele fez de falta o gol do título (2 x 1 no Bangu, campeão de 66), diante de 111.641 pagantes. Na final de 68, ele fechou os 4 x 0, depois de Roberto, Rogerio e Jairzinho, com olé de três minutos, sem o Vasco tocar na bola. “Só” 148 mil pagantes…

GERSON VENCEU 61 DOS 85 JOGOS PELA SELEÇÃO. Dos 19 gols, nenhum o emocionou mais do que o 2º dos 4 x 1 na Itália, na final do domingo cinzento de 21 de junho de 70, no estádio Azteca. O gol foi aos 22 do 2º tempo, quando estava 1 x 1. No próximo 9 de julho, faz 50 anos que Gerson se despediu da seleção, com a volta olímpica da Taça Independência, no Maracanã, após 1 x 0 em Portugal, com o mesmo meio-campo de 70: Clodoaldo, ele e Rivellino.

O SÃO PAULO TIROU GERSON DO BOTAFOGO em 69 para ser campeão paulista em 70, com Zezé Moreira, após jejum de 13 anos. Zizinho, também de Niterói e ídolo de Gerson, liderou o time de 1957, dirigido pelo húngaro Bela Gutman. Em 71, no histórico bi do São Paulo, do técnico gaúcho Osvaldo Brandão, campeão pela 1ª vez no Morumbi, com 115.887 pagantes o meio-campo tinha Edson, ex-Bonsucesso, Pedro Rocha e Gerson, que lançava Toninho Guerreiro, ex-Santos, e o artilheiro só completava.

A CEREJA DO BOLO DE GERSON foi o título carioca de 1973, o último da carreira histórica e o único no clube do coração. Ele participou dos nove primeiros dos 25 jogos. O último, com Félix, Toninho, Silveira, Assis e Marco Antonio; Denilson (Abel Braga) e Gerson; Cafuringa, Dionísio, Manfrini e Lula. Técnico, David Ferreira (Duque). Paulo Cezar Lima e Silveira (contra), e Manfrini, nos 2 x 1 do Flamengo, com 94.579 pagantes, no feriado da 3ª feira, 1 de maio de 1973.

GERSON TINHA: PAVOR DE AVIÃO. Quando jogava no São Paulo e comentava na Jovem Pan, ia e voltava de carro. É inimigo declarado de Santos Dumont: “Ele poderia ter inventado outra coisa”…  GERSON TEM: ESPÍRITO SOLIDÁRIO. Contribui, sem fazer a divulgação que devia, com a formação de jovens, em seus belos projetos sociais. Na época em que jogava no Flamengo, e eu iniciava na Rádio Nacional, sua tia Ilka me passava muitas informações, por telefone.

CLÓVIS NUNES, O PAI DE GERSON, participou de 9 dos 15 jogos do campeonato de 1935 da Liga Carioca de Futebol, primeiro título do América no profissionalismo, implantado dois anos antes, e o único gol que marcou foi o da vitória (3 x 2), domingo, 11 de agosto, nas Laranjeiras. O time, no 2-3-5 da época: Valter, Vital e Cachimbo; Oscarino, Og e Possato; Lindo, Carola, Mamede, Clóvis e Oscarino. Técnico – Fernando Ojeda.

TANTO EM COBERTURAS DE CLUBE, especialmente no bicampeonato 67-68 do Botafogo, quanto na seleção da Copa de 70, a primeira das oito consecutivas que cobri, desfrutei da mágia do futebol de Gerson. Tive também a alegria de conviver com ele em transmissões de rádio e programas de televisão. Sobre tanta coisa boa que se disse de Gerson, guardo o que escreveu Jonathan Wilson, do jornal inglês The Guardian: “Gerson foi o exemplo precoce de um intérprete mais criativo da retenção e do passe, em vez de tentar recuperar a bola”.

Foto: o Curioso do Futebol / UOL