ARTILHEIRO E CAMPEÃO NO FLAMENGO E NO VASCO, SILVA BATUTA completaria 82 anos neste primeiro domingo de 2022. Dos raros artistas da bola, a nascer e morrer no mesmo dia da semana, ele chegou na 3ª feira, 2 de janeiro de 1940, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, e partiu na 3ª feira, 29 de setembro de 2020, no Rio de Janeiro. Artilheiro e campeão no Flamengo e no Vasco, foi ídolo das torcidas, que sempre tratou com carinho, atenção e respeito.

REVELADO NA BASE DO SÃO PAULO, tornou-se profissional em 56, saiu em 61 para o Botafogo de Ribeirão Preto e no mesmo ano para o Corinthians, onde ficou até 64, marcando 95 gols. O primeiro título foi o de campeão carioca de 65, ano do IV Centenário do Rio, participando de todos os 14 jogos do Flamengo, com 10 vitórias, e artilheiro com 7 gols. Silva era só elogios ao técnico argentino Armando Renganeschi, zagueiro bicampeão carioca em 40-41 no Fluminense.

O TIME-BASE DO PRIMEIRO TÍTULO do Batuta foi Valdomiro, Murilo, Ditão, Jaime Valente e Paulo Henrique; Carlinhos e Nelsinho (Fefeu); Paulo Alves, Almir, Silva e Rodrigues. Na noite em que inaugurou a concentração, uma bela casa na Rua Jaime Silvado, em São Conrado, o presidente Fadel Fadel me convidou e pediu que o cozinheiro Oliveira, paraense e torcedor do Remo, me fizesse uma surpresa: “Você é de Manaus, deve gostar de canjica”. Fadel era educado e gentil.

O FLAMENGO NEGOCIOU SILVA em 66 com o Barcelona, que pagou o equivalente, hoje, a R$20 milhões. Ele voltou em 66 e foi campeão paulista em 67, no 10º título do Santos, que tinha Gilmar, Carlos Alberto Torres, Ramos Delgado, Rildo, Clodoaldo e o Rei: “Pelé foi o cara mais simples com quem joguei” – dizia o Batuta, que só ficou um ano na Vila famosa e fez 22 gols em 38 jogos. Voltou ao Rio e completou em 68-69 o ciclo de 70 gols em 132 jogos pelo Flamengo.

NA SEGUNDA VEZ FORA DO BRASIL, Silva Batuta fez sucesso na Argentina. Foi o único brasileiro, artilheiro (14 gols) do campeonato que o Racing Club, de Avellaneda, província de Buenos Aires, ganhou dois anos depois de ter sido campeão da Libertadores e Mundial de clubes, em 1967. Há um verbete em sua homenagem no site do clube, destacando técnica refinada, domínio de bola, dribles requintados, chutes fortes e certeiros, impulsões e cabeçadas. Só há 13 estrangeiros na galeria de notáveis do Racing: Silva é o único brasileiro.

O VASCO FICOU 12 ANOS SEM O TÍTULO CARIOCA, após o Supersuper de 1958. Ao assumir, em 70, o técnico Tim pediu e o presidente Agathyrno Gomes contratou o Batuta, que participou de todos os 18 jogos, com 13 vitórias, foi artilheiro do time com 10 gols e craque do campeonato, o segundo que o Vasco ganhou em anos em que o Brasil foi campeão do mundo. Time-base: Andrada, Fidélis, Moacir, Renê e Eberval; Alcir e Buglê; Luis Carlos, Valfrido, Silva e Gilson Nunes.

SILVA FEZ 8 JOGOS E 5 GOLS PELA SELEÇÃO, todos em 1966, ano de sua única Copa. Só entrou no último, em que o Brasil perdeu (3 x 1) para Portugal e saiu eliminado do Goodison Park, em Liverpool. O ataque tinha Jairzinho, Silva, Pelé e Paraná, ponta do São Paulo, que ao bater um escanteio, nos anos 70, chutou a bandeirinha de corner e não a bola.

WALTER MACHADO DA SILVA foi advogado por pouco tempo, depois de se formar em 2006. Em sua sala, na sede da Gávea, onde cuidava da agenda social do Flamengo, recebeu-me várias vezes, resenhando histórias. Era simpático e atencioso, sempre muito sorridente, de bem com a vida. Quem lhe deu o apelido de Batuta foi Waldir Amaral.

Fotos: Museu da Pelada / Blog do Deni Menezes