O GRANDE CAPITÃO PINHEIRO, segundo que mais vestiu e honrou a camisa do Fluminense, completaria 90 anos hoje, nascido em Campos dos Goytacazes, cidade do Norte do estado do Rio de Janeiro, na 4ª feira, 13 de janeiro de 1932. Desde a vitória por 2 x 1 sobre o Nacional do Uruguai, na estreia em 11 de agosto de 1949, no estádio das Laranjeiras, João Carlos Batista Pinheiro disputou 603 jogos, só menos 95 que o recordista Carlos Castilho, goleiro de 698 jogos.

CASTILHO, PÍNDARO E PINHEIRO formaram o mais famoso trio final, denominação da época do sistema de dois zagueiros, três no meio e cinco no ataque. Mas, para os torcedores de então, eles eram a Santíssima Trindade Tricolor, desde que jogaram juntos, pela primeira vez, no sábado, 12 de agosto de 1950, no 2 x 2 com o Olaria, no Maracanã, na abertura do Campeonato Carioca. Também formaram zaga com Pinheiro, Lafaiete, Cacá e Jair Marinho.

Para que os tricolores mais antigos recordem e os mais novos conheçam: Castilho, Píndaro e Pinheiro,
primeiros campeões do Fluminense no Maracanã em 1951 e em 1952.

CAMPEÃO CARIOCA PELA 1ª VEZ em 1951, aos 19 anos, Pinheiro só não participou de 1 dos 22 jogos, em que o time não sofreu gol em 9, teve saldo de 32 gols (54 a 22) e o artilheiro do campeonato, Carlyle, com 23 gols em 20 jogos. Foram 16 vitórias, 3 empates, 3 derrotas do Timinho, como era tratado, que venceu o Bangu nos jogos de desempate, apitados por Mario Vianna: 1 x 0, gol de Orlando; 2 x 0, gols de Telê, ponta-direita em todo o campeonato e centroavante nas finais.

PINHEIRO FOI CAMPEÃO DA COPA RIO 1952, o Mundial de clubes da época, aos 20 anos, e no ano do cinquentenário do Fluminense: 0 x 0 com o Sporting, campeão português; 1 x 0 no Grasshopper, campeão suíço; 3 x 0 no Peñarol, campeão uruguaio e base da seleção campeã do mundo de 50; 1 x 0 no Áustria, campeão austríaco, derrotado também na semifinal por 5 x 2, e as finais com o Corinthians: 2 x 0, em 30 de julho, e 2 x 2 em 2 de agosto, no Maracanã.

RECUPERANDO-SE DE CONTUSÃO, Pinheiro não participou do Rio-São Paulo de 1957, o primeiro ganho por um carioca, após oito anos de domínio paulista. O Fluminense foi campeão invicto, melhor defesa e ataque, e Waldo, artilheiro com 13 gols. Mas, foi campeão do segundo Rio-São Paulo, em 1960. Pinheiro voltaria a ser campeão carioca em 1959, em 20 dos 22 jogos, sem sofrer gol em 15, no último ano do Rio, capital da República, com 17 vitórias e só uma derrota.

DOS CINCO COM MAIS JOGOS com a camisa tricolor, Castilho (698), Pinheiro (603) e Telê (559) foram campeões cariocas em 51 e 59. Altair (551) e Escurinho (489), campeões em 59. Pinheiro ganhou 11 dos 17 jogos na seleção brasileira, foi campeão Pan-Americano invicto em 52 no Chile e disputou os três jogos da Copa do Mundo de 54 na Suíça, a última em que o Fluminense teve três titulares: Castilho, Didi e ele. 

PINHEIRO INICIOU COMO TÉCNICO dos juvenis do Fluminense, substituindo Telê Santana, que assumiu o time principal,  campeão carioca em 69. Pinheiro foi campeão carioca com os juvenis em 70, 75, 76, e ganhou a Copa São Paulo 71, 73, 77. Revelou sete campeões cariocas de 80: Edinho, Edevaldo, Delei, Mario, Rubens Galaxe, Robertinho e Zezé. Revelou também o goleiro Nielsen, o zagueiro Abel Braga e os meias Pintinho e Cleber, bicampeões cariocas 75-76.

Fluminense Campeão Carioca de 1951

POUCOS SE LEMBRAM: o primeiro dos seis títulos do Cruzeiro, recordista da Copa do Brasil, foi com Pinheiro no comando do time em 1993, decidindo com o Grêmio: 0 x 0 em Porto Alegre, 2 x 1 no Mineirão. Pinheiro foi vice-campeão carioca em 72, e em 77, convidado do vice-presidente Haylton Reis Machado, como jornalista da delegação, também cobri na Espanha o Troféu Colombino e a Taça Teresa Herrera, e o Torneio de Nice, no Sul da França. 

HOMENAGEM ESPECIAL – Pinheiro morreu na 3ª feira, 30 de agosto de 2011, aos 79 anos, e no dia seguinte, no Morumbi, o time jogou de luto na vitória por 2 x 1 sobre o São Paulo. O clube reservou homenagem muito especial ao seu melhor zagueiro e capitão, até hoje não concedida a outro jogador, ao velar seu corpo no salão nobre da sede da Rua Alvaro Chaves 41, nas Laranjeiras. O nome de Pinheiro estará sempre vivo na história do Fluminense FC.

Foto: Divulgação Fluminense / blog Tardes de Pacaembu / Terceiro Tempo / Jornaleiros