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Jorge Vieira, técnico do último título de campeão carioca do America em 1960, e Carlos Alberto Lancetta, professor de Educação Fisica desde 1972, foram pioneiros do futebol brasileiro em contratações do Tigres, que amanhã , 11 de fevereiro de 2021, será o primeiro do México em uma final do Mundial de clubes da FIFA. Eles chegaram ao Norte mexicano para a temporada 1994-95, quando o Tigres acabara de se transformar em clube-empresa da Universidade Autônoma de Nuevo Leon.

RESULTADOS – Lancetta lembra que Jorge Vieira pediu a contratação do meia Giovane (Vasco) e do atacante Gilson Maciel (Grêmio), que foram destaques, e que além das atribuições técnicas e táticas, e do treinamento fisico, Jorge Vieira e ele, eram responsáveis pela organização e gestão do clube: “Jorge e eu éramos solicitados a emitir opinião sobre a organização esportiva do clube e a dar palestras na Universidade. Os resultados foram sempre positivos, com reconhecimento ao nosso trabalho”.

A DIFERENÇA – Passados 25 anos, Lancetta recorda que a experiência não poderia ter sido mais proveitosa: “Vivemos o modo diferente de trabalho no futebol, com ideias novas, avançadas. Só nos anos 2000 chegou ao Brasil a ideia da criação do clube-empresa, e até os dias atuais, muitos clubes continuam tentando a transformação, mas esbarram em seus estatutos e na forma amadora de gestão de seus dirigentes”. Lancetta vivenciou o problema porque trabalhou no Botafogo e no Vasco.

JORGE VIEIRA – 1934 – 2012 -, além do último título carioca do America, foi campeão paulista no Corinthians (79 e 83), bicampeão no Club America, da Cidade do México, onde continua lembrado, e classificou a seleção do Iraque para a única Copa do Mundo, em 1986. LANCETTA, preparador fisico de alto nível, técnico da equipe brasileira de atletismo nos Jogos Olímpicos de 1980 em Moscou, foi presidente da Federação de Atletismo do Rio de Janeiro.

TIGRES – nome adotado de um dos mais famosos times do futebol americano – é um clube da Universidade Autônoma de Nuevo Leon, com mais de 150 mil alunos, terceira maior universidade pública mexicana, a que oferece o maior número de programas acadêmicos e a mais antiga de Leon, um dos 31 estados do quinto maior país das Américas. O México é uma república federal da America do Norte, décimo quarto maior país independente do mundo e segundo mais habitado da America Latina.

SUPORTE – O engenheiro Rogelio Garza Rivera, de 69 anos, reitor da Universidade Autônoma de Nuevo Leon, desde 2015, é o responsável pelos produtos que dão suporte ao Tigres: Cemex, terceira maior produtora de cimento do mundo de 1906. Telcel, provedora líder do serviço de comunicação sem fio no México desde 1984. Tecate, a cerveja mexicana mais vendida no mundo, produzida no município de Tecate, na Baixa Califórnia. Tecate significa pedra cortada. A mundial Coca-Cola, e The Home Depot, maior varejista de materiais de construção do país.

LEMBRANÇAS – A Cidade do México foi a primeira latino-americana a promover os Jogos Olímpicos em 1968, mas a minha primeira vez no México foi na inesquecível Copa de 70, a da melhor seleção brasileira da história, primeira a ganhar todos os jogos. Tornei-me correspondente no Brasil, durante 10 anos, do ESTO, principal jornal esportivo. Cobri o recorde mundial do salto triplo de João do Pulo, em outubro de 75, e ele ria quando usei sua marca para anunciá-lo: vamos ouvir João Carlos 17,89m de Oliveira, novo recordista mundial do salto triplo.

GRANDES NOMES – Da história bonita do esporte mexicano, tive o prazer de conhecer e entrevistar grandes nomes: Antonio Carbajal, goleiro extraordinário, primeiro jogador da história em mais Mundiais: 50-54-58-62-66, daí o tratamento carinhoso de cinco Copas. Rafael Marquez, zagueirão do Atlas de Guadalajara, do Barcelona e de 117 jogos na seleção mexicana, que também defendeu em cinco Copas. Hugo Sanchez, jogador mexicano do século 20, ídolo no Real Madrid e no Atlético de Madrid, cinco vezes artilheiro do Campeonato Espanhol.

O ÁRBITRO – Outra boa amizade: Alfonso Gonzalez Archúndia, árbitro mexicano que conheci na Copa de 70; que veio para o torneio dos 150 anos da Independência do Brasil em 1972, e depois nos reencontramos na Copa de 74 na Alemanha. Diretor da Pemex (a Petrobras mexicana), levou-me a um restaurante da Zona Rosa, área nobre da capital, para saborearmos filé mignon de rã (ancas de rana), retribuindo o rodízio que lhe ofereci, em churrascaria da Barão da Torre, em Ipanema.

LA MANO SANTA – Fora do futebol, duas grandes amizades: Martita Nava, uma das notáveis do basquete, capitalina (como são tratadas as que nascem na Cidade do México), simpática, sorridente, agradável. Concluo com Arturo Guerrero, que os mexicanos chamavam de La Mano Santa (O Mão Santa), maior jogador e técnico da história do basquete mexicano, que conheci em 76 nos Jogos Olímpicos do Canadá. Guerrero brilhou também na Itália. Jantamos em Leon, onde ele nasceu, e no Rio, quando veio disputar um torneio. O tempo não consegue apagar tanta coisa boa.