Uma semana depois do volante Fernando Gago, de 34 anos, sair de cena, após 196 jogos no Boca e 120 no Real Madrid, foi a vez de Javier Mascherano, de 36 anos, ex-zagueiro e volante, campeão de muita técnica e raça, deixar o futebol. Assisti sua despedida, na noite de ontem (15), em que o Estudiantes, seu último time, perdeu em casa (1 x 0) para o Argentinos Juniors, no estádio Jorge Luis Hirschi, em La Plata, a 56 km da capital Buenos Aires, pela terceira rodada do campeonato.

A PANDEMIA – Na entrevista, ao lado do técnico Leandro Desábato, ex-meia de 41 anos, Mascherano fez questão de dizer: “Sou grato ao Estudiantes pela oportunidade que me deu de encerrar a carreira na Argentina”. El Jefe (O Chefe), apelido que ganhou porque impunha respeito e mandava na defesa, Mascherano resumiu a saída: “Com a pandemia, a ilusão se foi apagando ainda na pré-temporada. As coisas nem sempre são como queremos, e ninguém pode escolher o final, ele vem por si só”.

21 TÍTULOS – Mascherano só foi campeão argentino uma vez, no River, que defendeu em 71 jogos, entre 2003 e 2005, quando saiu para o Corinthians e foi campeão brasileiro. Em 2006, em apenas sete jogos no modesto londrino West Ham, foi comprado pelo Liverpool, segunda camisa que mais vestiu, em 139 jogos, em três temporadas. De 2010 a 2018, em 334 jogos no Barcelona, 17 dos 21 títulos, e a gratidão eterna a Guardiola, “o técnico mais preparado de todos os que me dirigiram”.

MASCHERANO foi quatro vezes campeão de La Liga, e resume: “Nenhum campeonato se compara ao Espanhol”. Ganhou duas Champions, o mais importante torneio de clubes do mundo; três títulos Mundiais de clubes; duas Supercopas da Europa; quatro Copas do Rei da Espanha e três Supercopas da Espanha. “Penso ter participado dos momentos mais importantes da história do Barcelona, que sempre terá que ser escrita como antes e depois de Messi, esse é gênio”.

QUATRO COPAS – Mesmo sem ter sido campeão, Mascherano diz sentir orgulho de ter participado das Copas de 2006, 2010, 2014 e 2018, quando anunciou sua despedida da seleção, depois de 147 jogos: “Perdemos a decisão para a Alemanha, no Maracanã, mas fizemos um grande jogo, só decidido na prorrogação. O da semifinal com a Holanda foi bem melhor, e guardarei sempre o lance em que impedi o Robben de empatar no minuto final. Esse foi meu melhor lance na seleção” – recorda Mascherano.

OURO OLÍMPICO – Mascherano diz que o ouro olímpico, nos Jogos de 2004 em Atenas e 2008 em Pequim, foi algo especial em sua carreira: “Nossa seleção foi a primeira a ganhar duas vezes seguidas o ouro. Em 2004, com a maior goleada (6 x 0 na Sérvia) e o artilheiro do torneio, o Tevez. Em 2008, com 3 x 0 no Brasil na semifinal (Aguero 2 e Riquelme) e o 1 x 0 na final com a Nigéria, com o gol do Di Maria. Os chineses ficaram encantados com a nossa seleção e com o Messi”- relembra Mascherano.

Foto: Trivela, Getty Images, Goal, Jeff Gross | Crédito: Getty Images, Futebol Latino