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Paolo Rossi, único italiano a ganhar três prêmios em uma edição da Copa do Mundo, o de campeão, melhor jogador e artilheiro, não foi só o carrasco que marcou três gols e eliminou o Brasil na Copa de 82, mas um dos 27 jogadores, de sete clubes diferentes, envolvidos no escândalo do Totonero, grupo de apostadores do Totocalcio, a loteria esportiva italiana controlada pela Máfia da Sicília e da Calábria, que manipulava resultados do campeonato em meados dos anos 70.

PAOLO ROSSI morreu ontem (9), em Roma, aos 64 anos, de câncer no pulmão. Suspenso por três anos pela justiça esportiva, teve a pena reduzida, a fim de poder disputar a Copa de 82, em que sua única atuação destacada foi nos 3 x 2 sobre o Brasil, naquela segunda-feira, 5 de julho, no antigo estádio Sarriá, que o Espanyol de Barcelona, fechou e demoliu, 15 anos depois, em 1997. Paolo Rossi fez os dois gols na semifinal com a Polônia (2 x 0), e o primeiro dos 3 x 1 da final com a Alemanha.

OS SEIS GOLS que o levaram a artilheiro da Copa só vieram depois de três desempenhos muito ruins na primeira fase, em que a Itália não foi além de 0 x 0 com a Polônia e 1 x 1 com Peru, seleção treinada por Tim, outro notável técnico brasileiro, e Camarões. Na Azzurra, como os italianos tratam sua seleção, Paolo Rossi marcou 20 gols em 48 jogos, entre 1977 e 1986, mas não aparece entre as figuras de realce e seu nome é apenas o décimo sexto entre os melhores de todos os tempos.

PAOLO ROSSI viveu a melhor fase da carreira, prejudicada e com final antecipado por problemas graves no joelho, entre 81 e 85, nos 162 jogos em que fez 57 gols pela Juventus, retirando-se com o único título da Liga dos Campeões (1985), depois de ganhar os Italianos de 1982 e 1984. Na temporada seguinte, seu desempenho foi muito ruim no Milan, com apenas 2 gols em 20 jogos, no inexpressivo sétimo lugar do campeonato, e em 86-87, despedida melancólica no Verona, com 4 gols em 20 jogos.

VINHO E AZEITE – Depois que se retirou dos gramados, Paolo Rossi diversificou as atividades, tornando-se produtor de vinho e azeite de oliva; dono de uma rede de drogarias e comentarista da RAI, emissora de rádio e televisão. Durante anos, foi também embaixador das Nações Unidas na campanha contra a fome. Casado desde 2010 com a jornalista e escritora romana Federica Cappelletti, deixou três filhos Alessandro, Sofia Elena e Maria Vittoria.

PAOLO ROSSI, do primeiro dia do signo de Libra, nasceu em 23 de setembro de 1956, em Prato, cidade da belíssima Toscana, onde há grandes obras como a estátua de Michelangelo – 1475 – 1564 -, poeta, escultor, pintor e arquiteto, um dos gênios italianos, e da Catedral de Santa Maria del Fiore. O prefeito Matteo Biffoni, de 46 anos, fará homenagem à memória de Paolo Rossi, em Prato, a 296 km da capital Roma, onde também nasceu Sem Benelli – 1877 – 1949 -, notável escritor e poeta.

O RETROVISOR – Quando esteve em São Paulo, em 2002, para o lançamento de sua autobiografia “Fiz o Brasil chorar”, comemorando os 20 anos da conquista da Copa de 82, Paolo Rossi sentiu que a mágoa pelos seus três gols ainda não havia sido esquecida, como contou na volta à Itália ao Gazzetta dello Sport: “Ao entrar em um táxi, o motorista me reconheceu e ficava me olhando pelo retrovisor. Pouco antes de chegar onde eu queria ir, ele parou o carro e me fez descer”…

CASCAS DE BANANA – Paolo Rossi viveu outros momentos desconfortáveis na capital paulista, quando disputou, com antigos companheiros da seleção italiana, a Copa Pelé, amistoso de veteranos, no estádio da Portuguesa, no Canindé. Ele desistiu de voltar para o segundo tempo, depois de tantos olhares ameaçadores de torcedores, que também jogavam cascas de banana, amendoins e moedas, quando ele se aproximava da lateral do campo…