Temos que caprichar nos aplausos, nesta primeira sexta-feira de fevereiro de 2021, pelo aniversário dos nasceram com a vocação do gol: Cristiano Ronaldo (36), Carlitos Tevez (37), Neymar (29) e Edu (74), ídolo e homem-gol do America, passado sempre presente na lembrança dos que o viram brilhar, com exibições notáveis e gols antológicos, como o que marcou, em tabela com o irmão Antunes, em vitória memorável sobre o Nacional, campeão uruguaio, no Maracanã. Autêntica obra-prima.

A FAMÍLIA – Eduardo Antunes Coimbra, irmão mais velho de Zico, o Edu, Eduzinho, Perácio, Garoto de ouro, Pelé branco, Gênio da bola e outros tantos chamativos, pelos amigos e pela mídia nacional da época em que brilhou em campo, nos anos 60-70, nada disso o satisfaz mais, como ele próprio revela, do que ser apenas Edu, parte de uma família do bem, que o educou para respeitar os mais velhos, os superiores, professores e mestres, e ser o mais disciplinado possível, em profissão tão difícil.

VENCEDOR – Nos 15 anos da carreira de jogador, Edu viveu muitas alegrias, com várias camisas que vestiu e honrou pela qualidade técnica e profissionalismo, mas, entre os títulos, alguns são lembrados com sabor ainda mais especial, tais como os Torneio Negrão de Lima (1967), Viana Filho e Costa e Silva (1968), e a Taça Guanabara (1974). Ele próprio acrescenta: “As conquistas mais relevantes foram as de ter sido artilheiro da Taça Guanabara de 67 e do Brasil de 69”.

O REFINO – Estou entre os jornalistas da época do futebol de alto refino técnico de Edu, com dribles curtos desconcertantes, lançamentos sob medida e finalizações precisas de meia distância, raridades nos tempos atuais. Vi o Edu artilheiro do Rio-São Paulo de 69, excluído da convocação para a Copa de 70, por pura injunção política, quando esperava que seus méritos se sobrepusessem. Edu aprendeu jogando e com bons treinadores, assimilou bem e soube aplicar tudo como técnico.

A COPA – Vi Edu estrear e ganhar a Copa Rio Branco de 67, em Montevidéu, em noites geladas do rigoroso inverno uruguaio, no mítico Centenário, estádio da primeira Copa do Mundo (1930), brilhando em uma seleção com figuras do nível de Félix, Everaldo, Piazza, Tostão, com quem ele deveria estar na Copa de 70. Aymoré Moreira, técnico campeão do mundo em 62, em entrevista que me concedeu, resumiu bem: “Poucos são os jogadores que pensam e decidem tão rápido quanto o Edu”.

OS TÍTULOS – Em 75, Edu jogou no Vasco, foi campeão no Bahia e ganhou no Flamengo os Torneios da Uva, Leonino Caiado e a Taça Mazzola, e em 76 a Taça Cidade de Cuiabá e o Torneio do Distrito Federal. No Colorado, que viria a ser o Paraná Clube, foi campeão e artilheiro estadual em 76 e 78. No Joinvile, campeão catarinense em 78 e como técnico em 87. Em 79, no Brasília, e concluiu a carreira em 80 e 81 no Campo Grande, o time forte da época na Zona Oeste do Rio.

TAÇA RIO – Edu foi o técnico campeão da Taça Rio de 82 pelo America e de 84 pelo Vasco, que levou ao vice-campeonato brasileiro, em finais equilibradas com o Fluminense. Em junho de 84, dirigiu a seleção brasileira em amistosos com Inglaterra, Argentina e Uruguai. Em 89, comandou o Coritiba, campeão paranaense; em 90, técnico do bicampeonato carioca do Botafogo, que também dirigiu no Torneio Internacional de Vera Cruz, bela cidade portuária mexicana.

ORGULHOSO – Com toda razão, Edu se sente orgulho como jogador, técnico, gestor, coordenador, palestrante e professor de futebol, com suas passagens honrosas também pelas seleções iraquiana e japonesa, e faz um adendo ao resumir: “Sentir-se um vencedor não é para qualquer um, e pertencer a uma família, que, dizem, ser a de irmãos que mais fez gols neste planeta, é deveras orgulhoso, haja vista ter os dois maiores artilheiros de todos os tempos de equipes tradicionais como Flamengo e America”. Alegra-me ter escrito este texto, valorizado, como todos os outros, pela seleção de fotos de Marcelo Santos, profissional notável.

Fotos: Terceiro Tempo / Tarde de Pacaembu / Fla Resenha / Youtube / Historiador do Futebol / Medium