Por essa, com certeza, ninguém esperava: Paraguai 2 x 2 Qatar, neste domingo em que o Maracanã completou 69 anos, inaugurado em 16 de junho de 1950, foi o melhor e com mais gols dos quatro primeiros jogos da Copa América 2019, e o único que teve gol no primeiro tempo. Um jogo alegre, intenso, bem disputado, com os gols mais bonitos, e que empolgou os 20 mil presentes ao estádio, entre eles o ex-jogador e técnico Evaristo de Macedo, campeão da Copa do Golfo com o Qatar em 1993.

FALSA IMPRESSÃO – O gol de Óscar Cardozo, de pênalti – toque do lateral português Pedro Correia -, logo aos 4 minutos, deu a falsa impressão de que o Paraguai ganharia e até com alguma facilidade, mas só saiu para o intervalo em vantagem porque o goleiro Gatito, muito exigido pelo ataque campeão da Ásia, fez grandes defesas. A impressão aumentou na volta do intervalo, quando Derlis Gonzalez marcou o belíssimo segundo gol, de fora da área, no ângulo do goleiro Al Sheed, aos 11 minutos.

REAÇÃO RÁPIDA – A capacidade de reação rápida do Qatar impressionou. Artilheiro e recordista da Copa da Ásia, o atacante Almoez Ali fez um belíssimo gol, aos 23, no ângulo de Gatito, que não conseguiu chegar na bola. O gol de empate, aos 32, entrou na lista dos nove mais bonitos marcados nos quatro primeiros jogos. Uma troca de passes, em triangulação perfeita, vendo-se com clareza ser jogada bem trabalhada, deu a Boualem Khoukhi a chance do empate final (2 x 2) com outro belíssimo gol. Resultado que fez justiça e premiou a atuação determinada da seleção do Qatar.Tal qual Khoukhi, que fez o segundo gol, Almoez Ali, autor do primeiro, também não nasceu no Qatar. Ele tem 28 anos, é de Bou Ismail, pequena cidade da província de Tipasa, colonizada por franceses, no norte da África. Almoez Ali joga no Al Sadd, da capital Doha, o clube mais bem-sucedido do Qatar, em várias modalidades. Al-Sadd, em árabe, quer dizer O Chefe.

SEIS CARTÕES – O árbitro Diego Mirko Haro, de 36 anos, da Federação Peruana e da Fifa desde 2013, advertiu três no primeiro tempo: Madibo, por falta dura em Ortiz, aos 11; Salman, por simular um pênalti, aos 27, e Hernan Perez, aos 39, por falta em Hishan. No segundo tempo: Hassan, por pisar o pé de Derlis Gonzalez, aos 14; Khoukhi, aos 25, por empurrar Alonso com o braço, e Balbuena, aos 34, por falta em Khouki. Paraguai 2 x 2 Qatar, com R$2.382.305,00. 19.162 pagantes. Recordando: o Maracanã foi inaugurado em 16/6/50, com o amistoso de seleções de novos: Rio 1 x 3 São Paulo, de virada. Didi, futuro bicampeão mundial, marcou o primeiro gol. Ele havia saído no início do ano do Madureira para o Fluminense.

ESCOLA BARCELONA – A seleção do Qatar é dirigida desde 2017 pelo espanhol Felix Sanchez Bas, de 43 anos, catalão, nascido em 13/12/75, em Barcelona. Não foi jogador. Começou na base do Barcelona aos 20 anos, em 95, e saiu em 2006 para o Qatar, contratado para as divisões de base, onde revelou muitos valores nas seleções sub-17 e 19. Assumiu a seleção principal em 2017, e com menos de um ano de trabalho, deu ao Qatar a primeira Copa da Ásia, invicto, ataque mais positivo e só um gol sofrido.

BICICLETA NO RECORDE – O autor do primeiro gol do Qatar no Maracanã, Almoez Ali, de 22 anos, foi criança para o país. Ele nasceu em Cartum, capital do Sudão, e bateu o recorde do país em gols marcados em menos tempo: fez 4 em 51 minutos, abaixo apenas de Ali Daei, atacante do Irã, que marcou 4 em 23 minutos. O gol de Almoez Ali, do Qatar, que o colocou como segundo recordista asiático, foi de bicicleta na final (3 x 1) da Copa da Ásia com o Japão.

Twitter: @Jorgenatan

EVARISTO FESTEJADO – O tempo passa e o prestígio de Evaristo de Macedo, ídolo das torcidas do Flamengo, Real Madrid e Barcelona nos anos 50-60, continua. O ex-atacante, único da seleção brasileira a fazer cinco gols em um só jogo, foi muito festejado no Maracanã pelo sheik Hamd bin Khalifa Althani, presidente da Federação de Futebol do Qatar. Técnico de 22 títulos, Evaristo foi campeão da Copa do Golfo Pérsico, em 1992, dirigindo a seleção do Qatar.

OUTRO BOM NOME – Admirador e amigo de Evaristo, o sérvio Bora Milutinovic, técnico de oito seleções, extravasou a alegria ao reencontrá-lo no Maracanã. Bora foi o primeiro técnico a dirigir, em sequência, cinco seleções diferentes em Copas do Mundo: México 86, Costa Rica 90, Estados Unidos 94, Nigéria 98 e China 2002. Ele treinou também as seleções da Jamaica, Iraque e Honduras. 

ROMERITO PRESENTE – Integrante da assessoria técnica da Confederação Sul-Americana, o ex-meia Romerito, hoje aos 58 anos, foi também festejado pelos paraguaios no Maracanã. Ídolo da torcida do Fluminense, que defendeu em 211 jogos com 59 gols, entre 83 e 88, ele marcou o gol do título de campeão brasileiro de 84, no primeiro jogo (1 x 0) da decisão com o Vasco. Os tricolores que foram ver Paraguai 2 x 2 Qatar não deixaram de matar saudade com muitas fotos com o ex-craque.

EDUARDO BERIZZO, argentino de 49 anos, técnico da seleção do Paraguai, mostrou-se surpreso com o desempenho do Qatar. Ex-zagueiro do River Plate e do Club Atlas, do México, Berizzo assumiu em fevereiro, substituindo o colombiano Juan Carlos Osório, que teve passagem como técnico do São Paulo. A Colômbia lidera o Grupo B, com os 2 x 0 na Argentina. Quarta (19), o Qatar jogará com a Colômbia, às 18h30m, no Morumbi, e o Paraguai, às 21h30m, no Mineirão, com a Argentina.

Foto: Pedro UGARTE / AFP)