“EU ERA APENAS UMA CRIANÇA QUANDO O SANTOS JOGOU COM GENTO e outras lendas do Real Madrid, no estádio Santiago Bernabeu” – escreveu Pelé em suas redes sociais, ao registrar com muito pesar a morte do ponta-esquerda Gento, de 88 anos, 12 vezes campeão espanhol e 6 vezes campeão europeu, títulos não alcançados por nenhum outro jogador. “Meu sentimento de carinho à família e a todos os amigos de Gento” – resumiu o eterno e único Rei do futebol.

O AMISTOSO REAL MADRID 5 x 3 SANTOS, na noite da 4ª feira, 17 de junho de 1959, com 50 mil torcedores, foi em homenagem a Miguel Muñoz, 1º campeão como jogador e técnico, e 1º capitão a erguer a taça da Liga dos Campeões, que o Real Madrid ganhou pela 4ª vez consecutiva. Campeão paulista de 1958, com 140 gols, 58 de Pelé, o Santos estava em excursão na Europa, para o 14º jogo em 25 dias e em seis países diferentes, com 14 gols de Pelé em 13 jogos.

QUEM É MELHOR: PELÉ OU DI STÉFANO? A pergunta era única, um ano depois de Pelé, aos 17 anos, ter sido o mais jovem campeão do mundo. Pelé fez 1 x 0 aos 10 minutos, mas o Santos sofreu três gols de Mateos em 20 minutos, com assistências de Gento, Puskas e Di Stefano. No 2º tempo, Pepe fez o 2º do Santos, convertendo pênalti que Pelé sofreu. De peixinho, Puskas fez o 4º. Coutinho, então aos 16 anos, fez o 3º, no rebote do goleiro em chute de Pelé.

MESMO COM O DESGASTE DA SEQUÊNCIA DE JOGOS, o Santos esteve perto do empate, mas o Real Madrid liquidou o jogo com o gol de Gento, após um passe milimétrico de Di Stéfano. Quase 63 anos depois, Pelé relembra, ao lamentar a morte de Gento nesta 3ª feira (18): “Foi um ponta de velocidade incrível, inteligente e habilidoso, bom nos dribles, nos cruzamentos e nas finalizações. Um jogador que se mostrava bem à frente do seu tempo”.

GENTO E PELÉ NÃO VOLTARAM a se enfrentar na 4ª feira, 6 de junho de 1962, no estádio de Sausalito, em Viña del Mar, no Chile, na virada do Brasil, com dois gols de Amarildo, no 2º tempo, sobre a Espanha, que fez 1 x 0, gol de Adelardo. Pelé saiu com problema muscular na coxa, no 0 x 0 de quatro dias antes com a Tchecoslováquia, e ficou fora do restante da Copa, em que a maior figura, com seus dribles, gols de falta e de cabeça foi o não menos genial Garrincha.

PARCEIROS BRASILEIROS – Gento teve em Canário, hoje aos 87 anos, ponta-direita do América, vice-campeão carioca de 55, o primeiro parceiro brasileiro campeão, em 59-60, na final com mais gols da Liga dos Campeões: Real Madrid 7 x 3 Eintracht Frankfurt, com 128 mil torcedores, em 18/6/60, no Hampden Park, em Glasgow, na Escócia. Três gols de Di Stefano, quatro gols de Puskas. O ataque avassalador do Real Madrid: Canário, Luis del Sol, Di Stéfano, Puskas e Gento.

GENTO TAMBÉM GOSTAVA DE EXALTAR a técnica refinada de Evaristo de Macedo, hoje aos 88 anos, com quem foi tricampeão espanhol no Real Madrid em 62-63, 63-64 e 64-65. O ponta-esquerda espanhol dizia que “Evaristo era um jogador inteligente, que pensava e decidia rápido”. Não à toa, o meia carioca, nascido no Grajaú, revelado no Madureira e campeão no Flamengo, conseguiu ser ídolo e campeão no Barcelona (57 a 62) e no Real Madrid (62 a 65).

Foto: Marca / Divulgação Real Madrid