Vinte e cinco anos depois, o futebol colombiano volta a conviver com a ameaça de morte de um de seus jogadores. Em 1994, ao ser eliminada na primeira fase da Copa do Mundo pelos Estados Unidos, a seleção do então técnico Francisco Maturana, chorou a perda do zagueiro Andrés Escobar, assassinado dez dias depois do regresso ao país, por feito um gol contra, o primeiro da derrota (2 x 1), em 22 de junho, no estádio Rose Bowl, para a seleção americana.

SEIS TIROS – Andrés Escobar morreu com seis tiros à queima-roupa, no fim da noite, ao sair de um restaurante em Medellin, onde nasceu e jogava pelo Nacional. Depois de abordado por dois homens e uma mulher, um deles pôs a mão em seu ombro e disse: “Que belo gol!!!”, enquanto o outro disparava. Na época, a polícia afastou a participação dos cartéis de Medellin e Cali, que não só controlavam o tráfico de cocaína, mas também tinham envolvimento em manipulação de resultados de jogos.

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SEM SOLUÇÃO – O assassinato de Andrés Escobar aos 27 anos, campeão da Libertadores e um dos destaques do Nacional, provocou comoção no país e teve repercussão no mundo. Milhares de torcedores foram ao velório no Coliseu de Medellin, onde também estiveram Cesar Gavíria, presidente da República, seus ministros e outras autoridades. Escobar era da seleção desde a Copa de 90 na Itália, respeitado por sua qualidade técnica e pela raça com que jogava. O caso nunca teve solução.

CELULAR DA ESPOSA – As primeiras ameaças a William Tesillo, lateral-esquerdo que chutou para fora o quinto pênalti, provocando a eliminação da Colômbia na última sexta (28), após o 0 x 0 com o Chile, na Arena Corinthians, chegaram ao celular de Daniela Mejía, que logo fez a denúncia em seu Instagram. Segundo ela, a mensagem dizia: “Espero que tenhas o mesmo fim do Escobar”. Daniela confessou ter levado um choque, e por momentos, perdido o controle emocional, diante de ameaça tão grave.

MUITA ORAÇÃO – O pai do jogador, que também se chama William, muito católico, resumiu: “O que nos resta é rezar e pedir a Deus que proteja nossa família de uma ameaça que nos deixa em pânico”. O técnico português Carlos Queiroz mandou mensagem ao jogador pedindo que se mantenha calmo e que evite sair sozinho. William José Tesillo Gutierrez, 29 anos, 1,90m,  joga no Junior de Barranquilla, onde nasceu em 29 de fevereiro de 1990. 

CARLOS SANCHEZ, meia colombiano de 33 anos, na Europa desde 2007, com atuações em times da França, Itália, Espanha e desde 2018 no inglês West Ham, também foi alvo de ameaças após a derrota (2 x 1) para a Rússia, na  Copa de 2018, por ter sido expulso logo aos três minutos de jogo. Desde esta primeira segunda (1) de julho, todos os celulares da família de William Tesillo estão rastreados e o jogador contará com a segurança de policiais à paisana.

Foto: New Beezer