Gianpiero Combi, à esquerda, e Planicka, com o árbitro sueco Ivan Eklind, na final da única Copa do Mundoem que os goleiros foram capitães.

GIANPIERO COMBI, primeiro goleiro campeão do mundo, quando o capitão ainda não usava braçadeira, completaria 119 anos neste sábado, 20 de novembro de 2021. Combi e Planicka foram os únicos goleiros capitães, na decisão da segunda Copa do Mundo, na tarde ensolarada do domingo, 10 de junho de 1934, com temperatura de 40 graus em Roma, onde a Itália ganhou o primeiro de seus quatro títulos, vencendo a Tchecoslováquia por 2 x 1, de virada, na prorrogação.

NASCIDO EM TURIM, Gianpiero Combi só jogou na Juventus e foi cinco vezes campeão italiano, em 1925-26 e tetra de 1930-31 a 1933-34, com 367 jogos e 362 gols sofridos. Na seleção, antes da Copa de 34, ganhou quatro amistosos e sofreu só 1 gol, no 6 x 1 em Portugal, depois de 5 x 0 na Hungria e na França e 3 x 0 na Escócia. Combi não gostava de lembrar da estreia na seleção, goleada por 7 x 1 pela Hungria, em Budapeste, em 6 de abril de 1924.

COM 16 SELEÇÕES, mais três do que na primeira Copa, em 1930 no Uruguai, a Copa de 1934 fortaleceu o fascismo do ditador Benito Mussolini, cuja saudação ao povo, com o braço direito erguido, era repetida pela seleção em todos os jogos: 7 x 1 nos Estados Unidos, nas oitavas de final; 1 x 1 nas quartas de final com a Espanha, que a Itália venceu no jogo de desempate por 1 x 0, repetido na semifinal com a Áustria, e 2 x 1 na prorrogação da final com a Tchecoslováquia.

GIANPIERO COMBI subiu à tribuna do estádio do Partido Fascista Nacional de Roma para receber a taça de Jules Rimet, presidente da Fifa, mas a explosão dos 73 mil torcedores foi quando voltou ao gramado. Combi ganhou forte aperto de mão de Mussolini, antes de receber o Troféu Itália, com a efígie do ditador, aplaudido em delírio. A Copa de 1934 teve média de 4.1 gols por jogo, com 70 gols marcados em 17 jogos, e a média de público foi de 23 mil por jogo.

ERA ÉPOCA DO 2-3-5, sem substituição, mesmo em caso de contusão, e os campeões foram Gianpiero Combi, Eraldo Monzeglio e Luigi Allemandi; Luis Monti, Attilio Ferraris e Luigi Bertolini; Enrique Guaito, Giuseppe Meazza, Angelo Schiavio, Giovanni Ferrari e Raimundo Orsi, dirigidos por Vittorio Pozzo, o mais vitorioso técnico europeu dos anos 30, com 63 vitórias em 95 jogos, entre 1929 e 1948. Até hoje, único a ganhar duas Copas consecutivas, em 1934 e 1938.

BOM DIZER – Giuseppe Meazza, maior ídolo da história da Inter de Milão, é hoje nome do estádio. Raimundo Orsi, cinco anos depois, foi campeão carioca de 1939, no primeiro título do técnico Flávio Costa. A Itália contava com muitos oriundi e um deles era o atacante paulistano Guarisi, campeão paulista de 1930 pelo Corinthians, que fez parte da seleção campeã do mundo de 1934. 

O BRASIL FICOU EM 14º entre os 16 da Copa de 1934, à frente apenas da Bélgica e dos Estados Unidos, perdendo o único jogo por 3 x 1 para a Espanha. Na época, os goleiros usavam camisa de manga comprida, joelheira, e alguns jogavam de boné. O segundo goleiro capitão campeão do mundo foi outro italiano, Dino Zoff, o mais velho, aos 40 anos, em 1982. O terceiro, Iker Casillas, na única Copa da Espanha, em 2010, e o mais recente, Hugo Lloris, da França, em 2018. 

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