Uma semana depois de completar 23 meses, o Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou ontem (15) à Justiça o ex-presidente Eduardo Bandeira de Mello e mais dez pessoas pelo crime de incêndio culposo no Centro de Treinamento do Clube de Reagatas do Flamengo, tratado como Ninho do Urubu. A denúncia vem ao encontro dos registros que tenho feito, mês a mês, desde a madrugada da sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019, cobrando punição aos responsáveis pelo crime.

IRREGULARIDADES – A denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro, oferecida à Trigésima Sexta Vara Criminal da Capital, relata várias irregularidades cometidas, entre elas a desobediência a sanções administrativas impostas pelo Poder Público, por descumprimento de normas técnicas regulamentares; ocultação das reais condições existentes no local, ante a fiscalização do Corpo de Bombeiros; contratação inexistente de plano de socorro; evacuação em caso de incêndio, e o não atendimnto às manifestações feitas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro e o Ministério Público do Trabalho, a fim de preservar a integridade fisica dos adolescentes.

SABIA DE TUDO – O Ministério Público do Rio de Janeiro, ao oferecer a denúncia à Trigésima Sexta Vara Criminal da Capital, relata que o Flamengo tinha conhecimento dos problemas nas instalações elétricas do Centro de Treinamento Ninho do Urubu, nove meses antes do incêndio, iniciado em curto-circuito em um dos aparelhos de ar-condicionado.

O QUE A SOCIEDADE tanto aguarda é punição aos culpados pelo crime que matou dez jovens e deixou ferimentos graves em outros três. A indenização que o Flamengo tem oferecido, pelos valores que lhe convém, nada representa perante a gravidade do caso chocante. É preciso que o clube e seus dirigentes, únicos responsáveis pelas mortes, sejam punidos de forma exemplar.

Foto: Leo Burlá / UOL Esporte