Um dia depois de perder a última vaga do Grupo A da Libertadores, em que estaria com Palmeiras, Universitário do Peru e Defensa y Justicia, ao sofrer a segunda derrota de virada por 2 x 1 para o Independiente del Valle, do Equador, e de ter que disputar a Copa Sul-Americana com os modestos Lanús, da Argentina; Aragua, da Venezuela, e La Equidad, da Colômbia, o Grêmio usou a via diplomática para confirmar a saída de Renato Gaúcho, técnico mais bem-sucedido de sua história.

DIPLOMACIA – Para não dizer que o clube estava demitindo o técnico, o presidente Romildo Bolzan Jr, de 61 anos, advogado brilhante e político habilidoso, anunciou hoje (15) que Grêmio e Renato chegaram ao consenso, quando em verdade já se sabia que a demissão estava definida desde a noite anterior. O presidente não teve como suportar a pressão da maioria do Conselho Gestor, que queria a saída de Renato, tanto quanto o vice-presidente Claudio Oderich, que resumiu logo após a eliminação: “Não se pode fazer avaliação do passado, mas do que o Grêmio quer e precisa daqui pra frente”.

HISTÓRICO – Renato Portaluppi é o nome mais importante da história de 119 anos do Grêmio. A estátua em tamanho natural, inaugurada na noite da segunda-feira, 25 de março de 2019, no espaço nobre da Arena Grêmio, por ser o único campeão da Libertadores como jogador e técnico, e autor dos gols do título mundial de clubes, que o Grêmio ganhou em 1983, representa a marca histórica do seu valor, que o tempo, por mais que passe, não conseguirá apagar.

441 JOGOS – Renato dirigiu o Grêmio em 441 jogos – 211 vitórias, 110 empates, 90 derrotas – e foi campeão da Copa do Brasil (2016), Libertadores (2017), Recopa Sul-Americana (2018), tricampeão gaúcho (2018-19-20) e Recopa Gaúcha (2019). Com a camisa 7, na época dos bons pontas, também foi bicampeão gaúcho 86-87. Em outro tricolor, foi campeão carioca em 1995, com o único gol de barriga da história de uma decisão, e técnico da única Copa do Brasil que o Fluminense ganhou em 2007.

O INÍCIO – Nos oito anos iniciais como técnico, Renato dirigiu o Madureira (2000-01), Fluminense (2002-03) e Vasco (2005-07), e ao voltar ao Fluminense, ganhou a Copa do Brasil (2007) e bateu na trave da Libertadores, em 2008, quando o Fluminense foi à final da Libertadores pela única vez, ganhou (3 x 1) e perdeu nos pênaltis para a LDU no Maracanã. Um amigo foi importante na abertura da porta para o sucesso de Renato na carreira de técnico: Bris Belga, que o levou ao Madureira.

BOM DIZER – Dos vinte técnicos que mais dirigiram o Grêmio, um foi especial na carreira do ponta Renato: Valdir Espinosa, o técnico da primeira Libertadores e do Mundial de clubes de 83, e do título gaúcho de 86. Espinosa foi o sétimo, com 221 jogos. Outro nome de destaque entre os técnicos do Grêmio: Luiz Felipe Scolari, com 370 jogos, entre 1987 e 2015, campeão da Copa do Brasil (94), Libertadores (95), Recopa Sul-Americana e Campeonato Brasileiro (96), e campeão gaúcho (87, 95 e 96).

O RECORDE – Renato bateu o recorde de Oswaldo Rolla (Foguinho), técnico que dirigiu o Grêmio em 383 jogos, em 1939, 1955 a 1961, e em 1971, tornando-se pentacampeão gaúcho de 1956 a 1960. Com o novo até breve de Renato ao Grêmio, outro gaúcho, Lisca, do América Mineiro, passa a ser o técnico com mais tempo no mesmo clube, desde janeiro de 2020. 

O NOVO TÉCNICO – O Grêmio ainda não anunciou, mas o novo técnico deve ser outro gaúcho: Tiago Nunes, de 41 anos, sem clube desde setembro de 2020 quando saiu do Corinthians. Ele foi campeão da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana de 2019 com o Athletico Paranaense. Enquanto Tiago Nunes não assume, o time será dirigido no Gaúcho por Tiago Gomes, treinador da equipe sub-20. 

Fotos: Diário do Nordeste | Leia Já | You Yes | Yahoo Esportes | Esportes R7