A decisão do juiz Bruno Bodart da Costa, da Sétima Vara de Fazenda Pública do Tribunal de Justiça, de suspender a flexibilização da quarentena no Rio de Janeiro, mais que um alerta, representa ameaça ao retorno imediato do futebol, que o Flamengo, com apoio do Vasco e dos clubes pequenos, tenta conseguir desde 19 de maio. Nesse dia, os presidentes dos dois clubes estiveram em Brasília e no dia seguinte o presidente da República chamou o prefeito do Rio para liberar os jogos do campeonato estadual.

VIDAS EM JOGO – Em seu despacho, baseado em números, o juiz Bruno Bodart da Costa ressaltou que “vidas humanas estão em jogo”, referindo-se aos quase sete mil mortos no Rio de Janeiro, em virtude das infecções provocadas pelo novo coronavírus. A decisão firme do juiz, adotada com equilíbrio e inteligência, estabelece multa de 50 mil reais, contra o governador e o prefeito, em caso de descumprimento. As duas mais altas autoridades, estadual e municipal, desconvergem, quando deveriam convergir.

SEM CONTROLE – Nesta segunda (8), primeiro dia da flexibilização, instalou-se o caos em ônibus e trens, com excesso de lotação e os passageiros aglomerados e se empurrando, desprezando o mínimo que fosse de distância. Prefeitura e estado foram incapazes de controlar as plataformas de ônibus e trens. É a mesma previsão sombria que se faz em torno da volta do futebol, quando for liberada a entrada dos torcedores, ainda que no início em número abaixo da capacidade dos estádios.

16 MESES – Hoje, segunda, 8 de junho de 2020, faz 16 meses do incêndio que matou 10 jovens que treinavam na base do futebol do Flamengo, a maior tragédia de quase 125 anos de história do clube. O Flamengo está acertando parcelamento do pagamento da dívida com o Náutico pelo atacante Tiago Fernandes, de 19 anos, e do zagueiro Leo Pereira, de 24 anos, com o Athletico Paranaense. E mais: com o atacante Pedro, de 22 anos, emprestado pela Fiorentina. O cinto continua apertando.

Foto: Conexão Política