Os deuses do futebol podem estar reservando presente especial para Rogerio Ceni, no cenário em que foi o mais bem-sucedido goleiro da história do único clube em que jogou, com títulos e recordes, como os de 1.238 jogos, em 25 anos e três meses de carreira; o de 700 jogos como capitão, e o de goleiro artilheiro, com 131 gols (61 de falta; 69 de pênalti, 1 de bola rolando). Entre as marcas que superou, a maior de todas foi a de mais jogos que Pelé, que defendeu o Santos em 1.116.

AS CIDADES – Nascido no Sudoeste do Paraná, em 22 de janeiro de 73, o aquariano Rogerio Ceni, de Pato Branco, a 433 km da capital Curitiba, foi cedo com a família para o Mato Grosso e aprendeu a primeira história: Sinop, município a 480 km da capital Cuiabá, onde viveria, é a abreviatura de Sociedade Imobiliária Noroeste do Paraná, nome da empresa responsável pela colonização do Norte do Mato Grosso por agricultores do Norte do Paraná. O Sinop FC foi o primeiro clube de Rogerio Ceni.

O ÚNICO – Pouco depois de fazer 17 anos, Ceni se dividia entre os treinos do Sinop e o Banco do Brasil, onde era ajudante. Lançado pelo técnico Nilo Neves, estreou em Sinop x Caceres, em 15 de abril de 90, e teve pouco tempo para comemorar o único título de campeão mato-grossense (11 jogos, 6 gols sofridos). Foi para São Paulo, e após dois anos no time juvenil, reserva de Alexandre na Copa São Paulo, Telê Santana o colocou na reserva de Zetti no 0 x 0 em Campinas com o Guarani.

A ESTREIA – Foi fora do Brasil a estreia de Rogerio Ceni no time titular, na sexta-feira, 25 de junho de 1993, e ele defendeu um pênalti nos 4 x 1 no Tenerife, levando o São Paulo à final do torneio de Santiago de Compostela, no Noroeste espanhol. Na decisão com o River Plate (2 x 2), ele defendeu mais um pênalti e o time ganhou a taça. Mas as portas não se abriram de uma só vez. Ceni teve que esperar quatro anos, treinando com muita aplicação, para ganhar a titularidade só em 1997.

O PRIMEIRO – Se não houvesse convertido a cobrança no jogo com o União São João, pela segunda rodada do Paulista, na tarde do sábado, 15 de fevereiro de 97, no estádio Hermínio Ometto, em Araras, talvez Rogerio Ceni não tivesse alcançado o sucesso de goleiro artilheiro. O técnico Muricy, que bancou o desejo dele, estava muito pressionado pelos torcedores, após Ceni falhar em quatro tentativas em jogos oficiais, até que Ceni acertou o ângulo do goleiro Adinam. Era o primeiro dos 61 gols de falta.

O DOMINGO – 20 de agosto, Campeonato Brasileiro 2006, domingo do único gol de Ceni com bola rolando. O Cruzeiro fez 2 x 0, ele defendeu pênalti do meia Vagner e fez dois gols. O primeiro, foi o único de bola rolando, em jogada ensaiada com o meia Sousa, e o do empate, de pênalti, quando superou o goleiro paraguaio Chilavert, que havia feito 62 gols. Bom lembrar: esse jogo no Mineirão foi apitado pelo gaúcho Leonardo Gaciba, hoje presidente da comissão de arbitragem da CBF.

OS TÍTULOS – Em campo, em 1.238 jogos com a camisa 1 do São Paulo, Ceni foi: três vezes campeão paulista – 1998, 2000, 2005; tricampeão brasileiro – 2006, 2007, 2008; duas vezes campeão da Libertadores – 1993, 2005, e campeão mundial de clubes 2005. Ganhou da torcida o tratamento de Mito, com variações tipo M1TO, em alusão ao número 1 da camisa, e M1T000, em referência aos mais de 1000 jogos. Aos 48 anos e após um quarto da vida no Morumbi, natural que o coração seja são-paulino.

JOGO 220 – Rogerio Ceni pode ganhar o primeiro brasileiro da Série A, ao completar 220 jogos como técnico, desde 19 de janeiro de 2017, no Torneio da Flórida, que o São Paulo venceu nos pênaltis: 2 x 2 com o River (8 x 7), 0 x 0 com o Corinthians (4 x 3). No São Paulo, 37 jogos (14 vitórias, 13 empates, 10 derrotas); no Fortaleza, 153 jogos (81 vitórias, 33 empates, 39 derrotas); no Cruzeiro, 8 jogos (2 vitórias, 2 empates, 4 derrotas), e no Flamengo, 21 jogos (11 vitórias, 5 empates, 5 derrotas).

Foto: Coluna do Fla