Por mais que tente repassar para a Confederação Sul-Americana, o Santos tem que assumir a culpa pelas cenas lamentáveis e vergonhosas da noite de ontem, no Pacaembu, onde o jogo foi interrompido aos 37 minutos do segundo tempo, após torcedores lançarem bombas no banco de reservas do Independiente e tentarem invadir o campo. A Polícia Militar interveio com energia e teve até que usar a tropa de choque, que deteve vários manifestantes mais exaltados, para evitar o pior.

A iniciativa do técnico Cuca de proteger um torcedor e tentar evitar que fosse levado pelos policiais também foi lamentável, tanto quanto declarações que fez contra o próprio clube. O papel dele é treinar, de preferência bem, a equipe, que em dois jogos com o mesmo adversário não mostrou competência, fora e em casa, para sequer fazer um gol. Os torcedores lotaram o estádio para ver o time se classificar com vitória, mesmo que não jogasse bem.

A Confederação Sul-Americana não tem culpa do que aconteceu. O jogador Carlos Sanchez, agora no Santos, jogava no River Plate ao ser expulso na semifinal da Libertadores de 2015, por agressão a um gandula. Julgado, foi multado em três mil dólares e suspenso por três jogos, punição que deveria cumprir no torneio seguinte, mesmo que atuasse por outro clube.

foto: Portal Zoom – rzoom.com.br

Só em julho de 2018, portanto, no mês passado, foi que Carlos Sanchez, que estava jogando no Monterrey, no norte do México, foi contratado pelo Santos. A Libertadores, reiniciada após a Copa do Mundo, seria a primeira competição promovida promovida pela Confederação Sul-Americana, que ele viria a disputar. Mesmo com a suspensão de três jogos reduzida para um jogo, o primeiro jogo seria precisamente o que o Santos disputou na Argentina com o Independiente. E que, claramente, ele não poderia ter jogado.

A Sul-Americana também agiu certo ao anunciar a decisão de punir o Santos com o resultado de 3 x 0 do primeiro jogo, horas antes do segundo jogo. Lançar bombas no banco de reservas do Independiente e tentar a invasão de campo, como queriam alguns torcedores desequilibrados, torna-se motivo para novas punições, que serão inevitáveis. O clube já reconheceu o erro, ao demitir o funcionário responsável pelo registro de jogadores. Por que então o recurso ao Tribunal do Esporte da FIFA para tentar anular a decisão correta da Confederação Sul-Americana? Só no futebol brasileiro.

capa: Marcos Ribolli (foto)