Pela primeira vez em 120 anos de fundação, que completará na próxima terça (25), o River disputou um jogo sem um goleiro nato e sem nenhum jogador na reserva, e tirou o Fluminense da liderança do Grupo E da Libertadores, ao vencer por 2 x 1 o Santa Fé, da Colômbia, na noite de ontem (19), no estádio Monumental de Nuñez, em Buenos Aires. Clube mais atingido pela pandemia, com 20 infectados, incluídos os quatro goleiros, o River não teve permissão da Conmebol para novas inscrições. 

 IMPROVISADO – Com o meia Enzo Perez, de 31 anos, ainda em recuperação de distensão muscular na coxa, e improvisado como goleiro, o River fez um treino leve pela manhã e iniciou pressionando o Santa Fé, decidindo o jogo em três minutos. O goleiro Castellanos rebateu o chute forte do atacante Fontana e o lateral Angileri fez 1 x 0 logo aos 3 minutos. O segundo gol foi do atacante Julian Alvarez, aos 6, e o meia Kelvin Osório marcou o gol do Santa Fé aos 28 do segundo tempo.

NA HISTÓRIA – Enzo Perez, de 35 anos, é de Maipu, distrito de Mendoza, a terra do vinho. Foi campeão da Libertadores em 2009 no Estudiantes de La Plata; bicampeão português 2013-14-15 no Benfica; disputou dois campeonatos espanhóis pelo Valencia; participou das Copas do Mundo de 2014 e 2018, ano em que ganhou a Libertadores, na histórica final com o Boca, em Madrid. Tido como cão de guarda do time, Enzo Perez entra de vez na história do River como primeiro goleiro improvisado.

A COR E O NÚMERO – O River fez uniforme especial, todo verde, para Enzo Perez, que manteve o número 24 na camisa. Durante e depois do treino pela manhã, o treinador de goleiros Cesar Binelli, de 45 anos, passou orientações, bem cumpridas à noite no jogo. Logo depois da vitória, o goleiro titular Franco Armani e os outros três goleiros, parabenizaram Enzo Perez pela atuação, como também o fizeram os outros dezesseis infectados, em recuperação, que não puderam jogar.

SOFRIMENTO – O técnico Marcelo Gallardo, de 45 anos, ídolo da torcida do River, que o chama de Muñeco (Boneco), estimulou os jogadores e deu atenção especial aos estreantes, Tomás Lecanda, zagueiro de 19 anos, e Felipe Peña, meia de 20 anos. Aliviado, o treinador comentou: “O mundo sofre com a pandemia, que nos pegou forte. Enfrentamos o pior problema em um jogo atípico, mas cumprimos bem o regulamento”. Foi a vitória 174  do técnico em 326 jogos no River desde 2014. 

PRIMEIRO LUGAR – Único invicto do Grupo D, com 9 pontos – 2 vitórias, 3 empates, saldo de 2 gols (6 a 4) -, o River só precisa empatar com o Fluminense para ficar com o primeiro lugar. O Fluminense, com 8 pontos, será primeiro se vencer o River, mas não se classificará se perder e o Junior Barranquilla, com 6 pontos, ganhar do já eliminado Santa Fé, último e único sem vitória. Se ficarem iguais em pontos, a vaga será decidida no saldo de gols. O saldo do Junior é 0 (6 a 6) e o do Fluminense, 1 (7 a 6).

Foto:  Foto: Juan Ignacio Roncoroni/Reuters