Um fato inédito na tarde de ontem (17), no estádio Aniceto Moscoso, na Rua Conselheiro Galvão, em Madureira, na Zona Norte do Rio de Janeiro, a dois meses dos oitenta anos de sua inauguração, no domingo, 25 de junho de 1941, quando o Madureira venceu o Fluminense pela sétima rodada do Campeonato Carioca. Sem receber há quatro meses, e rebaixados à Série A2, os jogadores do Macaé sentaram em campo, antes de João Batista de Arruda apitar para o Madureira dar a saída no jogo, que venceu por 4 x 2 e rebaixou o Macaé.

NOTAS – O Macaé diz que ainda não recebeu o pagamento das cotas de transmissão da televisão e emitiu nota em que respeita a decisão dos jogadores. O clube informa que mandou ofício à Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro, comunicando não poder treinar em Macaé, devido às restrições sanitárias, e diz que a Federação respondeu ao ofício, pedindo que tentasse treinar em cidades próximas liberadas. O Macaé mandou outro ofício, dizendo não ter dinheiro para pagar as viagens, e que a empresa de ônibus tem aceitado o atraso. 

PROTESTO – Depois da troca de notas, o Macaé procurou acalmar os jogadores, sinalizando que o clube continua empenhado em resolver o problema. A Federação também emitiu nota, em que reconhece o direito dos jogadores, mas afirma que tem feito o possível para solucionar. Último dos 12, sem vitória, 1 empate e 9 derrotas, o Macaé se despede da Taça Guanabara, domingo (25), no estádio Nilton Santos, com o Botafogo, que também só cumprirá tabela, depois da derrota (1 x 0) para o Fluminense. 

A HISTÓRIA – Madureira 4 x 2 Fluminense, na inauguração do estádio do Madureira, com a capacidade máxima de 10 mil lugares, foi a segunda e última derrota que o Fluminense sofreu em 1941, bicampeão carioca com 22 vitórias, 5 empates e o recorde de 106 gols em 29 jogos. Madureira – Alfredo, Benedito e Apio; Otacílio, Jair e Alcides; Jorginho, Lelé, Isaías, Jair Rosa Pinto e Oséas. Fluminense – Maia, Moisés e Machado; Bioró, Spinelli e Afonsinho; Pedro Amorim, Pedro Nunes, Rongo, Tim e Hércules. Na época não havia substituição. O jogo foi apitado por José Ferreira Lemos, tratado pelo apelido de Juca da Praia.

SAÍRAM TRÊS – O futebol do Madureira era bancado pelo bicheiro Aniceto Moscoso, homenageado pelo clube com o nome do estádio, e que mandava na contravenção da época, junto com Rafael Palermo, Arlindo Pimenta e o então iniciante Eusebio de Andrade, presidente do Bangu, campeão em 1966. Aniceto Moscoso vendeu os melhores do time, Isaías, Lelé e Jair Rosa Pinto, destaques do primeiro título invicto do Expresso da Vitória do Vasco (1945), que também tirou do Fluminense o técnico uruguaio Ondino Viera. 

COMECEI a conhecer um pouco da história do Madureira em 1964, quando fui indicado pelo amigo Telê Santana, quase no final da brilhante carreira de jogador, para ser o jornalista da Volta ao Mundo, organizada pelo correto empresário português José da Gama Correia da Silva. Ficamos quase quatro meses na Europa e na Ásia, com o Madureira sendo o primeiro time das Américas a jogar na República Popular da China, ainda dominada, com mão de ferro, pelo líder comunista Mao Tse-tung.

O MADUREIRA era dirigido pelo artilheiro Plácido Monsores, campeão carioca de 1933 no Bangu e de 1935 no América, e fez grandes exibições em Cantão, Shangai e na capital Pequim, diante de 100 mil torcedores, lotação completa do Estádio dos Trabalhadores. O zero a zero com a seleção chinesa, treinada por um técnico húngaro, foi destacado pelos jornais como “grande espetáculo de técnica de futebol”. O jogo foi emocionante e só com três faltas de cada equipe.  

BOM LEMBRAR – O time-base do Madureira na Volta ao Mundo de 1964 era Miguel, Bitum, Alfredo, Jalmir e Aloísio; Farah e Homero; Neném, Batata, Quarenta e Zezé. Miguel foi goleiro do Vasco, Supersupercampeão carioca de 1958 e depois passou a coordenador técnico do Cosmos de Nova York. O atacante Batata depois brilhou no Vera Cruz, time da cidade portuária mexicana de Vera Cruz, onde se casou com a filha caçula do presidente da Pemex, a Petrobras do México.

BOM DIZER – O Madureira foi também o primeiro time brasileiro a se apresentar no estádio San Paolo, em amistoso com o Napoli, que havia comprado do Olaria o atacante Cané, primeiro negro a jogar e depois a ser técnico na Itália. O estádio passou a se chamar Diego Maradona, em justa homenagem dos napolitanos ao maior ídolo de sua história, em uma equipe em que também brilharam o atacante Careca, ex-São Paulo, e o volante Alemão, ex-Botafogo, comprado do Atletico de Madrid.

Foto: História do Futebol | Pinterest