Um jogo que bem poderia ser mais próximo das últimas rodadas, tornando a reta final ainda mais emocionante, será o que Atlético Mineiro e Flamengo disputarão amanhã (8), no Mineirão, dirigidos pela primeira vez por um argentino e um espanhol, técnicos adeptos do futebol ofensivo, tanto que o Flamengo tem o ataque mais positivo (33), mas o Atlético está na cola (31). As defesas é que estão vulneráveis, principalmente a do Flamengo, quarta mais vazada (25), mas a do Atlético já sofreu 23.

O DESAFIO DO FLAMENGO é ser o primeiro a vencer o Atlético, no Mineirão, onde só o Fluminense (1 x 1) e o Sport (0 x 0) não perderam. Os números do turno mostram o mandante Atlético letal: ganhou sete dos nove jogos, três sem levar gol, marcou 20 e sofreu 5. Só o Corinthians conseguiu fazer dois gols no Atlético, no Mineirão, mas levou a virada (3 x 2). São Paulo e Goiás perderam de 3 x 0 e o Ceará, de 2 x 0. O Bragantino perdeu de 2 x 1; o Grêmio, de 3 x 1, e o Vasco, 4 x 1 de virada.

MELHOR COMO VISITANTE – Inseguro nas primeiras rodadas, em que perdeu sem fazer gol – 1 x 0 para o Atlético Mineiro, no Maracanã, e 3 x 0 para o Atlético Goianiense, em Goiânia -, o Flamengo só não conseguiu vencer o Palmeiras (1 x 1) e o Internacional (2 x 2) como visitante, mas melhorou muito, depois de 1 x 0 no Coritiba e no Santos. Fez cinco gols em dois jogos, no Bahia (5 x 3) e no Corinthians (5 x 1). De todos, o pior jogo fora, pelo que vi, foi na derrota (2 x 0) para o Ceará.

JOGO FRANCO – A história conta que Atlético e Flamengo fazem jogo franco, quase sempre com três ou mais gols, sendo 0 x 0 e 1 x 1 bem raros, desde o primeiro, que o Flamengo venceu (3 x 2), lá no distante domingo, 16 de junho de 1929, em amistoso no estádio Antonio Carlos, que já nem existe mais. A rivalidade se acentuou desde a final do Brasileiro de 1980, em que o Flamengo levou ao delírio os mais de 160 mil torcedores (154.355 pagantes), com os 3 x 2 no Maracanã. 

A GUERRA EM GOIÂNIA – O clima de guerra aumentou em 1981. Cobri no Serra Dourada, em Goiânia, o jogo da semifinal da Libertadores, em que o Flamengo se classificou com o 0 x 0. Houve muita crítica injusta ao árbitro José Roberto Wright por ter expulsado cinco do Atlético, mas ele agiu certo. Logo aos 5 minutos, Cerezo agarrou Tita pela camisa. Antes da primeira expulsão de Reinaldo, por uma tesoura em Zico, aos 33, ele já havia aplicado quatro amarelos em jogadores do Atlético.

DESEMPATE – Atlético x Flamengo será o confronto 66 pelo Campeonato Brasileiro e os números confirmam o equilíbrio, com 25 vitórias de cada time, e 15 empates. Mas a vantagem do Atlético, nos 32 jogos em casa, é bem favorável, com 17 vitórias e 9 empates, enquanto o Flamengo só ganhou 6 jogos. Os times precisam da reabilitação, após derrota por três gols – 4 x 1 do São Paulo no Flamengo e 3 x 0 do Palmeiras no Atlético -, e não pode haver chance melhor do que amanhã (8), em jogo que Sávio Sampaio, da Federação de Brasília, estará apitando.

BOM LEMBRAR – O superagitado Jorge Sampaoli, que aos 60 anos já deveria ser mais calmo e manter o equilíbrio, não estará amanhã (8) na área técnica. O treinador do Atlético Mineiro é o mais punido com advertência e vai cumprir a segunda suspensão, pelo sexto amarelo. Ele está caminhando para bater o próprio recorde: em 2019, o técnico argentino, vice-campeão brasileiro com o Santos, foi advertido com 11 cartões amarelos. O espanhol Domènec Torrent, do Flamengo, em 2020, tem sido mais comedido.

Imagem: Torcedores