Entristece-me registrar a morte de Sergio Noronha, o analista equilibrado com quem trabalhei em jornal, rádio e televisão. Profissional inteligente e de nível elevado, foi sempre bem claro em seus textos e em suas falas, sem nunca deixar dúvida sobre o tema que abordava com segurança, direto, objetivo. Fez parte de boas equipes de jornalistas, destacando-se entre os mais importantes pela clareza de suas análises.

TORCEDOR DISCRETO – Noronha não gostava de ser identificado como vascaíno. Era um torcedor discreto, depois que passou a comentarista, que preferia a lembrança das arquibancadas de São Januário do início dos anos 50. Teve a felicidade de ver o auge do notável goleador Ademir, símbolo do Expresso da Vitória, que ganhou cinco dos oito campeonatos, três invictos, entre 1945 e 1952, e foi o primeiro artilheiro do Maracanã, no Vasco e na seleção.

COPA DE 1950 – Noronha estava entre os que não aceitavam a perda da Copa de 50, principalmente nas circunstâncias em que o título escapou, com a vantagem do empate e depois de 1 x 0, gol de Friaça, logo no início do segundo tempo. Para ele, como me disse certa vez, “o domingo mais triste do futebol”, meses antes de completar 18 anos, no início de uma carreira que seria marcada por muitas outras coberturas inesquecíveis.

SERGIO NORONHA, carioca, passou ao plano espiritual em 24 de janeiro de 2020, quatro dias antes de completar um mês do aniversário de 87 anos, em 28 de dezembro de 2019. Fica a lembrança de uma convivência profissional, em que nos tratamos sempre com muito respeito. Com certeza, o espírito de Sergio Noronha será iluminado, como ele fez por merecer, pela mais forte de todas as luzes. A luz de Deus.

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