A uma semana da final com o River, o ex-atacante Silva Batuta, que marcou 70 gols em 132 jogos pelo Flamengo e foi o destaque do time campeão do IV Centenário do Rio de Janeiro, em 1965, vê o jogo como muito difícil e bem pegado, mas considera o Flamengo motivado para ganhar o título que conquistou pela única vez em 1981.

SILVA BATUTA fala com propriedade sobre o futebol argentino porque em 1969 jogou no Racing, de Buenos Aires, tornando-se o único brasileiro artilheiro do campeonato com 18 gols em 28 jogos. Diz ele: “O River é o chamado copeiro, time que vai sempre bem na final. Atual campeão, tenta o quinto título e será adversário difícil, mas vejo o Flamengo melhor, mais motivado, principalmente depois da goleada no Grêmio na semifinal”.

A MUDANÇA – Silva considera que a decisão da Libertadores em um só jogo é melhor que no sistema antigo de ida e volta: “O jogo único, em estádio neutro, exige mais aplicação e muito mais atenção porque qualquer erro é fatal. O sistema de jogo único é antigo na Europa e a América do Sul demorou a adotá-lo” – diz o ex-atacante.

Silva Batuta e Deni Menezes, na sede do Flamengo, recordando boas histórias do futebol.Foto de Iene Tavares, coordenadora do Fla-Gávea.

BARCELONA – A três meses de completar 80 anos, Silva Batuta nasceu em 2 de janeiro de 1940 na capital paulista, jogou no São Paulo, Corinthians, Botafogo de Ribeirão Preto, e saiu do Flamengo para o Barcelona, em 1966, pela fortuna de 200 mil dólares! Na volta, foi campeão paulista pelo Santos em 1967. 

CARNAVAL 68 – Silva recorda a volta ao Flamengo, em 1968, com o carnaval de 90 mil torcedores no Maracanã, com a galera cantando o sucesso do carnaval da Mangueira “Voltei, aqui é meu lugar”, antes do amistoso com o Cruzeiro. Ele não se lembra que o amistoso foi no domingo, 3 de março de 1968, dia em que Zico estava completando 15 anos.

DOIS GOLS – O Flamengo goleou (5 x 1) o Cruzeiro, que tinha Raul Plasmann, aos 24 anos, e que seria, 13 anos depois, o goleiro campeão do mundo do Flamengo em 1981. Silva Batuta fez o primeiro gol, Cesar marcou o segundo e Silva, o terceiro. No intervalo, foi substituído por Almir Pernambuquinho.

COMPARAÇÃO – O time de 2019, virtual campeão brasileiro, que vai decidir a Libertadores no próximo sábado (23) com o River, é excepcional. Silva Batuta prefere não fazer comparação com o que o ganhou a Libertadores e o Mundial de clubes em 1981: “Raul, Leandro, Mozer, Júnior, Andrade, Adílio, Zico, Tita, Nunes, como esquecer de todos eles”?

Fotos: Museu da Pelada, Terceiro Tempo, Torcida Flamengo e Pintrest

OS MESTRES – Silva Batuta foi campeão carioca em 1965 tendo como técnico o argentino Armando Renganeschi, zagueiro bicampeão em 40-41 no Fluminense: “Um mestre. Via muito e falava pouco, mas dizia tudo o que queria”. Quando falo em Tim, técnico que o dirigiu no time campeão carioca de 1970, Silva Batuta diz: “Meu Deus, sabia tudo!”

FLA-GÁVEA – Funcionário do clube há trinta anos, Silva Batuta me recebeu na sala do Fla-Gávea, onde a coordenadora Iene Tavares, produtora do sucesso do programa Haroldo de Andrade, resumiu: “É uma honra trabalhar todos os dias com o Silva Batuta, que cuida muito bem da parte social dos eventos do Flamengo”.

UMA DAS BOAS amizades que o futebol me proporcionou, Walter Machado da Silva até hoje recorda as entrevistas que fizemos no meu tempo de repórter de rádio. Depois do abraço, ele só me pediu mais uma coisa: “Não deixa de escrever que o Carlinhos foi o amigo que me recebeu e me deu todo apoio quando cheguei de São Paulo”.

BOM LEMBRAR: Carlinhos foi um dos volantes mais técnicos do futebol brasileiro. E a exemplo de Silva, que ganhou de Waldir Amaral o apelido Batuta, Carlinhos também ficou conhecido como Violino, como era chamado nas transmissões do mais categorizado narrador-esportivo de todos os tempos do rádio.