Quando viajou para as férias em Portugal, o técnico do Flamengo esperava na volta ter aumento de 50% para renovar o contrato até o fim de 2021. Segundo ele, expectativa bem natural, aguardando tão-somente o reconhecimento do seu trabalho no primeiro ano no clube. Mas, o real se desvalorizou frente ao euro, e o clube, sem jogo, deixou de arrecadar.

AUMENTO ZERO – A situação mudou. O Flamengo já demitiu; já acertou redução de salário com os jogadores; está honrando os compromissos, mas, agora com mais dificuldade. O que Jorge Jesus terá do clube será um cuidado ainda mais especial e atencioso, a dois meses de completar 66 anos (24 de julho), o que o enquadra na área de risco de vida.

ALGUMAS MEDIDAS – Jorge Jesus não terá contato direto com os jogadores nem com seus sete assistentes. Além de máscara cirúrgica, com a orientação médica, o técnico usará luvas e passará a fazer exames com mais frequência. Além do exame de sangue, que revela se o paciente tem infecção, exames dos pulmões e dos rins. O clube o cercará de toda atenção.

ESTADO DE ALERTA – A preocupação não se restringe ao futebol. O Flamengo entrou em estado de alerta após os resultados dos exames de 293, em que 38 deram positivo e três são jogadores do elenco principal. Onze, dos que fizeram exame, já tinham contato com o vírus, mas têm anticorpus IGG positivo. Seis, funcionários do grupo de apoio, e dois, terceirizados.

BOM LEMBRAR – O Flamengo, muito interessado em que o futebol seja logo reiniciado, só teve a adesão do Vasco, de vez que Fluminense e Botafogo assumiram posição contrária. Até ontem (8), no mundo, 3.926.724 infectados e 273.852 mortos; no Brasil, 145.328 contaminados e 9.898 mortos. No Rio de Janeiro, 15.741 contaminados e 1.503 mortos.

O FLAMENGO PRESSIONA pela volta imediata do futebol, desprezando a realidade, enquanto o governador do Rio de Janeiro decidiu prorrogar o isolamento total até o dia 31, como fizera horas antes o governador de São Paulo, que resumiu: “O cenário é desoladorA Fiocruz voltou a pedir o isolamento total porque as taxas de incidência do Rio são acima da média do país.

A OMS – Organização Mundial da Saúde -, ignorada pelo governo brasileiro, voltou a alertar que “a crise vai piorar, se medidas mais rígidas, comprometidas com a realidade da situação, não forem adotadas. O Brasil voltou a ser alvo de duras críticas da Lancet, revista semanal científica sobre medicina, publicada no Reino Unido desde 1823: “Bolsonaro é  a mais séria ameaça ao combate ao coronavírus no Brasil”.

Foto: SUSANA VERA / Reuters