A segunda rodada da fase de grupos da Libertadores 2021 começa hoje (27), com a primeira troca de técnico, e não há surpresa que seja em clube brasileiro, tão acostumado a demitir, embora desta vez o Santos tenha levado um pé na bunda, na véspera do segundo jogo, e de outro argentino, como aconteceu com o Internacional, enquanto líder do Brasileiro de 2020. Admissão e demissão fazem parte da relação, só não se entende que o vínculo trabalhista, na maioria dos casos, tenha duração tão curta.

ARIEL HOLAND – Técnico argentino sem lastro, Ariel Holan foi contratado na segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021, acreditando que trabalharia no Santos até 2023, mas pediu demissão, ontem (26), após o último treino, dois meses e quatro dias após sofrer a segunda derrota consecutiva por 2 x 0, ambas na Vila Belmiro. Saiu depois de doze jogos, perdendo mais do que ganhando, e com três empates entre 5 derrotas e 4 vitórias, percentual baixo para uma equipe de nível elevado e com bons jogadores.

SAMPAOLI – Não ganhou nada no Santos em 2020 nem chegou a cumprir um ano de contrato, que seria de dois anos. Foi eliminado no Paulista pelo Corinthians; na Sul-Americana pelo River, o genérico, do Uruguai, e na Copa do Brasil pelo Atlético Mineiro, sua próxima parada, onde também não ganhou nada, a não ser quinze cartões amarelos e quatro suspensões. Despediu-se,  por carta, em fevereiro de 2021, e em dois meses já está sendo rejeitado pelo Olympique de Marselha.

DUDAMEL – Impossível falar em técnico estrangeiro sem lembrar que alguém do Atlético Mineiro teve a ideia genial de trazer Rafael Dudamel da Venezuela, único dos treze países sul-americanos que jamais foi à Copa do Mundo. Irritaram-se quando escrevi isso na época. O ex-bom goleiro Dudamel só ganhou dois dos dez jogos, e conseguiu ser eliminado da fase preliminar da Copa do Brasil pelo pernambucano Afogados da Ingazeira, e o que foi pior, nos pênaltis.

SÁ PINTO – O Vasco decidiu copiar o Flamengo, e trouxe Ricardo Sá Pinto, que veio com três assessores, e saiu deixando o rebaixamento bem encaminhado, depois de só ganhar três jogos e perder o dobro, e mais quatro empates. Luxemburgo ainda tentou evitar, mas era tarde para corrigir tantos erros cometidos por um técnico em tão pouco tempo. 

DOMÈNEC – O Flamengo tentou repetir 2019, em que só não ganhou tudo porque Jorge Jesus teve medo do Liverpool, mas se deu mal em 2020 com Domènec Torrent, seu décimo segundo treinador estrangeiro e primeiro espanhol, sem lastro algum,  contratado só por ter sido assistente de Guardiola no Barcelona, no Bayern e no City. Estreou em agosto e saiu em dezembro, por coincidência, após duas derrotas (4 x 0 e 1 x 0) para o Atlético Mineiro. Nem para o New York City FC conseguiu voltar.

RAMON DIAZ – O Botafogo ficou 73 anos sem técnico estrangeiro – o último, em 1947, havia sido o uruguaio Ondino Viera, campeão no Vasco e no Fluminense -, ao contratar o argentino Ramon Diaz, em 2020. Mas, há coisas que só acontecem ao Botafogo. Ramon Diaz foi o técnico da segunda Libertadores do River, em 96, dirigindo os atuais técnicos Marcelo Gallardo e Hernan Crespo, mas o Botafogo não esperou que se recuperasse de cirurgia e o demitiu antes da estreia.

COUDET – Sobrinho do argentino Filpo Nuñez, único estrangeiro que dirigiu a seleção brasileira – 3 x 0 no Uruguai, na inauguração do Mineirão, em setembro de 1965, como técnico do Palmeiras -, o argentino Eduardo Coudet deixou o Internacional na liderança do Brasileiro 2020 e foi para a Espanha treinar o Celta de Vigo, hoje em nono entre os vinte. Coudet fez em novembro, o que Ariel Holan fez ontem (26): deu um pé na bunda do Santos na véspera de jogo importante da Libertadores. Assim caminha o futebol.

Foto: Gazeta Esportiva