Alberto Valentim foi demitido do Cuiabá, ainda no vestiário, logo depois do empate (2 x 2) com o Juventude, na primeira rodada, sábado, 29 de maio, na Arena Pantanal. O espanhol Miguel Ángel Ramirez, infectado com a Covid-19, nem estava dirigindo o time, mas foi demitido do Internacional após a eliminação da Copa do Brasil, antes da terceira rodada. E ontem (14), envergonhado após três derrotas sem fazer gol e com o time em último, Lisca entregou o cargo.

16 MESES, 82 JOGOS – Sem nunca ter sido jogador profissional, Lisca é bom técnico, e os 16 meses em que comandou o América Mineiro em 82 jogos, revelam a eficiência do trabalho que realiza sempre até com um toque de amador, mais empenhado nas boas apresentações e em vencer. Há mais a dizer, mas desde logo é bom lembrar: ele deu lucro de quase R$18 milhões ao clube, ao classificar o time, pela primeira vez, em 109 anos, às semifinais da Copa do Brasil.

A FASE MUDOU – Antes das três rodadas nas três primeiras rodadas do Brasileiro, a campanha de 2021 do América Mineiro era boa, mas a fase mudou, como a própria vida, que muda a cada minuto. Em 2015, ele livrou o Náutico do rebaixamento; em 2016, não conseguiu evitar a queda do Internacional, mas em 2017 manteve o Guarani na Série A, o que repetiu em 2018 dirigindo o Ceará nas últimas rodadas. Em 2021, levou o América ao vice-campeonato mineiro.

A BASE AJUDOU – Lisca está entre os que sabem que não basta ter sido bom jogador para ser bom técnico, e os exemplos não são poucos, mas também se inclui entre os que pensam que é melhor dar um passo de cada vez. Olhando para trás e cada vez mais otimista com o futuro, ele diz que ter iniciado na base foi muito importante, principalmente em clubes do porte do Internacional, São Paulo, Grêmio e Fluminense, que lhe deram um grande suporte.

POR QUE LISCA? – O apelido é curto, mas o nome próprio é extenso: Luiz Carlos Cirne Lima de Lorenzi, gaúcho da capital Porto Alegre, leonino de 11 de agosto de 1972, coração da cor da camisa do Internacional. O Juventude estava em crise financeira e não disputava nada, mas ele aceitou o convite: “Era a chance de sair da base e dirigir o primeiro time de um clube de boa projeção. Um trabalho penoso, de muito sacrifício, e os torcedores não mostravam confiança”.

EMPOLGAÇÃO – A descrença inicial deu lugar à confiança no time. O Juventude ganhou alguns jogos, e aos poucos, os torcedores foram voltando, empolgados com as vitórias, e fizeram o coro: Papo, papo doido, que é o mascote do time, e no jogo seguinte, mudaram para Lisca, Lisca doido. Ele tentou tirar Lisca doido da boca da galera, mas o apelido pegou, e no Ceará, em 2018, ele disse: “Não rasgo dinheiro; não como grama; não dou cabeçada na parede. Não sou doido, não”.

SUBSTITUTO – Ao sair ontem (14), Lisca sugeriu ao América que Felipe Conceição, demitido do Cruzeiro, seja seu substituto: “É um técnico jovem, mas bem preparado. Eu entrei no lugar dele e agora ele pode voltar no meu lugar. Tem competência, sabe trabalhar e é capaz de recuperar o potencial do time, sujeito ao declínio passageiro como qualquer outro”. O presidente Marcus Salum agradeceu a Lisca pelo trabalho e ficou de analisar a sugestão.

Foto: Felipe Santos