Neste segundo sábado de agosto de 2020, faz um ano e meio que dez jogadores da base do futebol do Flamengo tiveram morte trágica, enquanto dormiam, no incêndio do Ninho do Urubu, na madrugada de 8 de fevereiro de 2019: os goleiros Christian Esmério e Bernardo Pisetta; o lateral Samuel Rosa; os zagueiros Arthur Vinícius e Pablo Henrique; os volantes Rykelmo Viana e Jorge Eduardo, e os atacantes Vítor Isaías, Athila Paixão e Gedson Santos.

DEZOITO MESES depois, o clube ainda não encontrou a solução definitiva do gravíssimo problema, tratado, na semana seguinte, como “simples fatalidade” pelo presidente Landim, que, após três semanas, solicitou quinze dias de licença e não foi à estreia do time na Libertadores, dia 5 de março, em Oruro, com o São José. Só vinte dias depois, o clube fechou acordo com a família de uma das vítimas. Desde então, tudo parou, e até a Assembleia Legislativa interveio, criando uma Comissão Parlamentar de Inquérito.

O PRESIDENTE do Flamengo faltou à primeira sessão, mas disse que iria à segunda, e também não compareceu. O ex-presidente Bandeira, arrolado, embora há mais de um mês fora do cargo, apresentou-se nas duas vezes. O clube não aceitou a proposta de R$2 milhões, mais R$10 mil mensais, durante 30 anos. O Ministério Público foi claro em nota: “O Flamengo vem procurando mitigar pagamentos de indenizações às famílias das vítimas do incêndio, provocando o aumento do desespero, em tentativa clara de não sofrer qualquer prejuízo econômico, decorrente do fato gravíssimo a que o próprio clube deu causa”.

O Ministério Público e a Defensoria Pública, sempre atentos e firmes, não podem nem devem deixar de agilizar a solução definitiva de caso tão grave. Não basta que o clube só cumpra com a indenização às famílias; é preciso que haja punição, com rigor exemplar, para os responsáveis pela tragédia. Ninguém, rigorosamente ninguém, pode estar acima da lei.