Com a dispensa do treinador de goleiros Carlos Germano, o Vasco inicia mal a reestruturação do futebol, em que disputará o quarto rebaixamento, com obrigação de retorno imediato à Série A, após a desastrosa campanha de 2020, que não deixou dúvida quanto à incompetência dos que comandaram o futebol do clube. É falta de memória não lembrar que Carlos Germano teve participação fundamental na conquista da Série B de 2009, como treinador de Fernando Prass, goleiro menos vazado.

A HISTÓRIA – O capixaba Carlos Germano tem história de mais de 30 anos no Vasco, onde iniciou infantil em 1985 e subiu todos os degraus, sempre com muito empenho e correção para alcançar os objetivos, até se tornar o único goleiro tricampeão carioca da era Maracanã (92-93-94), com atuações notáveis que cobri de perto. Em 92, em todos os 24 jogos, sofrendo só 10 gols; em 93, em 22 dos 24 jogos, com 12 gols sofridos, e em 94, em todos os 18 jogos, com 9 gols sofridos. Os números dizem tudo.

TÍTULOS – Campeão brasileiro em 97, terceiro título do Vasco, após 74 e 89, Carlos Germano também se sobressaiu em um grupo que tinha valores do nível de Mauro Galvão, Felipe, Juninho Pernambucano, Ramon e os artilheiros Evair e Edmundo, que o técnico Antonio Lopes dirigiu bem, como no ano seguinte (98), em que o Vasco ganhou sua única Libertadores e foi à final do Mundial de clubes, perdida em Tóquio para o Real Madrid (2 x 1), com o primeiro gol, em lance infeliz do gol contra de Nasa.

RECORDES – O nome de Carlos Germano está na história do Vasco, não só por atuações marcantes e títulos, mas também pelos recordes. De 24 de novembro de 91 a 27 de setembro de 97, foi o goleiro que ficou mais tempo sem sofrer gol (933 minutos). Dos cinco que mais vestiram, e honraram, a camisa do Vasco, Carlos Germano é o segundo, com 632 jogos, após Roberto Dinamite, maior ídolo e artilheiro, com 1.110. Sabará, ponta-direita do Supersupercampeonato (1958), terceiro com 576; o volante Alcir Portela, capitão do primeiro título brasileiro (1974), com 511, e o notável goleiro Moacir Barbosa, com 485 jogos.

DESCARTÁVEL – Carlos Germano não pode nem merece, sob qualquer pretexto, ser tratado como descartável pelo Vasco. Ele está na galeria dos 36 notáveis do clube, na seleção, em Mundiais, tais como Ademir Menezes, até hoje, o maior artilheiro da seleção em uma única Copa (1950), com 9 gols, e Hideraldo Luis Bellini, primeiro capitão campeão do mundo (1958). Carlos Germano foi campeão da Copa América 97 e vice-campeão do mundo 98. Precisa ser reconhecido com admiração e respeito.

Foto: Fred Gomes