A sorte está lançada. O Vasco precisa ganhar do Internacional, Corinthians e Goiás, ou será rebaixado pela quarta vez, como aconteceu em 2008, 2013 e 2015, quando, por coincidência, ficou em antepenúltimo. O Vasco só depende das próprias forças, para corrigir em 270 minutos, os erros que acumulou durante a campanha, em que até chegou a ser líder na terceira rodada, mas não conseguiu se estabilizar. Pior: entrou em acentuado declínio, até cair ao décimo sétimo lugar em que se encontra.

HISTÓRICO – Desde 2003, primeiro ano dos pontos corridos, o Vasco passou sete dos catorze Campeonatos Brasileiros tendo que dobrar forças contra o rebaixamento, principalmente em três temporadas consecutivas – 2003-04-05 – quando esteve mais ameaçado. A reação só veio em 2011, quando disputou o título até a última rodada com o campeão Corinthians. Antes, sexto em 2006; quinto em 2012, e a volta à Libertadores em 2017, com o sétimo lugar.

LIDERANÇA – É tradição dos clubes brasileiros a troca de técnicos após duas ou três derrotas e nesse quesito o Vasco está na liderança nos últimos dez anos. De 2011 a 2020, o Vasco fez 21 trocas de técnico, seguido do Flamengo (19), Internacional (17), Fluminense, Botafogo e São Paulo (16), Cruzeiro e Atlético Mineiro (15), Santos e Palmeiras (13), em contraste chocante com os quatro anos de Renato Portaluppi, com mais de 400 jogos no Grêmio, e de Fernando Diniz, que ficou 18 meses no São Paulo.

OS 19 DO VASCO – Foram técnicos do Vasco em 2011 Paulo Cesar Gusmão, Ricardo Gomes e Cristóvão Borges, em 2012 trocado por Marcelo Oliveira, substituído por Gaúcho, que ficou até 2013, quando entraram Paulo Autuori, Dorival Junior e Adilson Batista. Em 2014, só houve uma troca, com a entrada de Joel Santana no lugar de Adilson Batista. Em 2015, Doriva, Celso Roth e Jorginho, mantido em 2016. Cristóvão Borges voltou em 2017, mas foi substituído por Milton Mendes.

ZÉ RICARDO substituiu Milton Mendes e ficou pouco em 2018, quando Jorginho retornou e saiu para a entrada de Alberto Valentim, que permaneceu parte de 2019, até ser substituído por Vanderlei Luxemburgo, que voltou ao Palmeiras e foi campeão paulista em 2020. Os três de 2020 foram Abel Braga, Ramon Menezes e Ricardo Sá Pinto, até o retorno de Vanderlei Luxemburgo, que está tentando evitar o quarto rebaixamento. Sem os interinos, o Vasco tem média de dois técnicos por ano.

EQUÍVOCOS – O Vasco se precipitou na demissão de Ramon Menezes e errou na contratação de Sá Pinto. O Vasco venceu os primeiros jogos em casa – 2 x 0 no Sport e 2 x 1 no São Paulo -, e no primeiro como visitante, 3 x 0 no Ceará. Bastou ficar três sem ganhar – 0 x 0 Grêmio, 1 x 2 Fluminense e 2 x 2 Santos, na Vila -, foi demitido após a derrota (3 x 0) para o Bahia, dia 8 de outubro, em Salvador. Ramon dirigiu o time em 16 jogos: 8 vitórias, 5 empates, 3 derrotas e saiu em décimo lugar.

NADA DE NOVO – Desde a estreia, na derrota (2 x 1) para o Corinthians, em São Januário, na noite de 21 de outubro, o técnico Ricardo Sá Pinto nada mostrou de novo. Sua despedida foi melancólica, na derrota (3 x 0) para o Athletico, em Curitiba. Sem nenhum lastro e sem que se saiba por que veio de Portugal, foi demitido em 29 de dezembro, após 15 jogos: 3 vitórias, 6 empates, 6 derrotas. Assumiu em décimo terceiro e saiu em décimo sétimo. Foi eliminado da Sul-Americana e da Copa do Brasil

DÉCIMO SÉTIMO – O Vasco está em décimo sétimo, com 37 pontos, igual ao Bahia, que o supera em uma vitória (10 a 9). Acima de ambos, com 41 pontos, o Sport, décimo quarto, com mais duas vitórias que o Fortaleza (12 a 10). Jogos restantes do Bahia, com Atlético Mineiro e Fortaleza (fora), e Santos; do Sport, com Bragantino e Atlético Mineiro (casa), e Athletico Paranaense; do Fortaleza, com Palmeiras e Fluminense (fora), e Bahia.

VASCO UNIDO – O presidente Jorge Salgado reuniu-se ontem (12) com os jogadores e a comissão técnica, no CT do Almirante, e destacou que “o Vasco está unido em momento tão difícil e que só a força do grupo será capaz de superar”. Salgado, de 73 anos, é um empresário de muita credibilidade no mercado financeiro e está captando recursos para zerar as dívidas do clube. Em 2010, quando Roberto Dinamite era presidente, ele emprestou R$3 milhões para quitar atrasados dos funcionários.

DOIS VALORES – O Vasco teve ontem (12) dois convocados para a seleção brasileira sub-18, campeões da Copa do Brasil sub-20, o meia Carlos Eduardo, de 17 anos, autor do gol do título, e o zagueiro Eric Pimentel, de 18 anos, filho do ex-lateral-direito Pimentel, tricampeão carioca 92-93-94 no Vasco; campeão carioca em 99 no Flamengo e campeão paulista em 2000 no São Paulo. O vice-presidente Carlos Roberto Osório diz que “o Vasco vai continuar dando muita força ao trabalho da base”.

LUXEMBURGO – Independente do desfecho do Campeonato Brasileiro, a ideia do Vasco é a de manter Vanderlei Luxemburgo. O presidente Jorge Salgado ressalta que poucas vezes viu o comprometimento de um profissional com o clube com tanto empenho e dedicação: “Luxemburgo preenche todos os requisitos de um grande profissional e nós do Vasco reconhecemos o que ele está fazendo para manter o time na elite do futebol brasileiro”. O técnico não deu pista da escalação para amanhã (14).

Foto: Lance!