Depois da derrota para o Goiás, na noite tumultuada de ontem (12) em São Januário, o técnico Abel Braga disse ter saído envergonhado para o intervalo: “É impossível entrar em um jogo de tamanha importância, com estádio lotado e apoio integral da torcida, e não ter atitude. Não estou abatido, não. Estou insatisfeito com meu time”. O treinador admitiu pedir demissão nas próximas horas e os dirigentes logo se movimentaram pelo substituto.

EDUARDO BARROCA, técnico do Coritiba, de volta à Série A em 2020, é o primeiro nome. Como os dirigentes ouviram Abel dizer no final da entrevista, na sala de imprensa de São Januário, que “não tomo decisão de cabeça quente. Se tiver que pedir demissão é de cabeça fria, posso pensar nisso nas próximas horas”, o contato com o possível novo técnico deve ser feito hoje (13). Barroca tem 37 anos, foi técnico do Botafogo e ganhou a Série B com o Atlético Goianiense, de volta à Série A em 2020. Em 2015, foi assistente-técnico do time sub-20 do Vasco.

DESASTROSA – O Vasco teve mais uma atuação desastrosa e a derrota (1 x 0) para o Goiás obriga o time a vencer por dois gols ou pelo menos por um gol para decidir nos pênaltis a vaga para a próxima fase da Copa do Brasil. O jogo de volta na próxima quinta (19), no estádio Olímpico de Goiânia, será com portões fechados, de acordo com a decisão do governo estadual, a fim de evitar a propagação do coronavírus.

REVOLTA – Foi uma noite tumultuada e muito confusa em São Januário, onde o clima de revolta aumentou após o gol do zagueiro Fabio Sanches, aos 44 do primeiro tempo, e ficou ainda mais pesado quando o árbitro paulista Tiago Peixoto encerrou o jogo. Houve conflito entre os próprios torcedores e muitas vaias aos jogadores, ao técnico Abel e ao presidente do clube, a cada jogo mais pressionado a entregar o cargo. 

O INVICTO – A derrota da noite de ontem (12), diante de 17.970 pagantes em São Januário, fez o Vasco fez perder a mais longa invencibilidade de um time mandante na Copa do Brasil. A última derrota – 2 x 1 para o Gama, do Distrito Federal -, havia sido em 5 de abril de 2017, no Maracanã. Desde então, o Vasco realizou 37 jogos, ganhando 22 e empatando 15, até a derrota para o Goiás, que tornou mais difícil a classificação do time. 

MUITO RUIM – Vou repetir o que tenho escrito: o time do Vasco é muito ruim. Raros são os que podem vestir a camisa. A maioria não mostra preparo para jogar no Vasco. Yago Pikachu, Marrony e Ribamar foram os piores na derrota para o Goiás. Como escrevi após o 0 x 0, o Vasco precisa dar uma grande guinada ou então vai afundar de vez. Com esse time, no Brasileirão, o Vasco só pode pensar em não voltar a ser rebaixado. Nada além.

ÚLTIMA CHANCE – Depois de não se classificar para as semifinais da Taça Guanabara, o Vasco terá que ganhar o clássico de domingo (15) com o Fluminense, que lidera com 6 pontos. Vasco, só com dois empates, está em quarto, depois do Volta Redonda, 4 pontos, e do Madureira, 3. É a última chance, mas o time não tem apresentado desempenho capaz de fazer a torcida acreditar que consiga a vaga nas semifinais da Taça Rio.

MINUTO DE SILÊNCIO – Antes do jogo foi respeitado um minuto de silêncio pela memória de Silveira, 73 anos, que desde 1984 era da comissão técnica do Vasco. Ele foi zagueiro do Fluminense, de 1966 a 1975, marcando 29 gols em 316 jogos, com 150 vitórias, campeão carioca em 69, 71, 73 e 75, e campeão brasileiro em 70. Silveira tinha chute fortíssimo e seu apelido era Canhão de Sepetiba, onde nasceu. Foi o terceiro zagueiro que mais fez gols (29) pelo Fluminense, depois de Pinheiro (49) e Edinho (34). Que Deus dê muita luz ao seu espírito.

Foto: André Durão