NÃO FALTOU NADA NA FESTA DO CAMPEÃO ATLÉTICO MINEIRO, na tarde esplendorosa de ontem (5), diante de 61.573 torcedores, recorde do novo Mineirão, sete anos após as obras para a Copa do Mundo de 2014, a começar pela terceira virada, na 17ª vitória em 19 jogos, no segundo jogo em que fez 4 gols e no primeiro em que sofreu 3. Houve dois momentos especiais: a entrada em campo de Reinaldo, maior artilheiro da história do clube, ladeado por Hulk, artilheiro do campeonato de 2021, e Diego Costa, e a entrada de Dario, autor do gol do título de 1971, com a taça.

SEM ESPAÇO PARA MAIS NINGUÉM NO MINEIRÃO, a primeira explosão foi aos 20 minutos, quando Keno abriu o placar com um belo gol da entrada da área. Nem a bola que o lateral Luan Cândido mandou no travessão aos 38 e o gol de empate de Ytalo, no minuto seguinte, diminuíram a loucura dos atleticanos, que também não se abalaram, no primeiro minuto do 2º tempo, com o gol da virada de Arthur, o melhor em campo do Bragantino, um dos melhores visitantes da temporada 2021.

A MASSA ATLETICANA VOLTOU A JOGAR JUNTO e o time campeão teve reação imediata. Com assistência de Keno, que repetiu a atuação notável, com dois gols na virada em Salvador sobre o Bahia, o meia argentino Mathias Zaracho empatou aos 7. A explosão se repetiu quatro minutos depois, com o chute do volante Allan, que substituiu Jair no intervalo, estremecendo a trave de Cleiton, bom goleiro do Bragantino. O passe de letra de Hulk para o gol de Savarino, na virada de 3 x 2, aos 33 minutos, foi outro delírio no Mineirão.

A FESTA AINDA NÃO ESTAVA COMPLETA, faltava o gol de Hulk. O artilheiro chegou ao 19º, aos 43 minutos, trocando a força pelo jeito, ao encobrir o goleiro com um toque suave, de refinada categoria, explodindo de novo a galera enlouquecida no Mineirão. O terceiro gol do Bragantino, segundo de Arthur, aos 54 minutos, passou batido porque o apito final do paranaense Rodolfo Marques, era o fim do jogo e a sequência das comemorações.

O ATLÉTICO NÃO ESQUECEU DE NADA, ou melhor, lembrou de tudo. Convidou imortais de sua história, como o goleiro João Leite, recordista de jogos (684), 11 vezes campeão mineiro (1976 a 1988), e o artilheiro Reinaldo, 255 gols em 475 jogos, sete vezes campeão mineiro, com destaque para o hexa de 1978 a 1983. Nenhum jogador faz parte do folclore do futebol quanto o carioca Dario, o Dadá Maravilha, hoje aos 75 anos, nascido em Marechal Hermes, iniciado no Campo Grande, 4º maior artilheiro do Brasil, com quatro passagens pelo Atlético, entre 1968 e 1983. 

“SÓ HÁ TRÊS COISAS QUE PARAM NO AR: beija-flor, helicóptero e Dadá Maravilha” – foi a frase de Dario, ao marcar de cabeça, no Maracanã, o gol do 1º título de campeão brasileiro do Atlético, 1 x 0 no Botafogo, no domingo, 19 de dezembro de 1971. Outras frases que criou: “Com Dadá em campo não há placar em branco”. Sobre sua velocidade: “Pra pegar Dadá na corrida, só se for de táxi”. Quando diziam que não sabia jogar: “Nunca aprendi a jogar futebol porque perdi muito tempo fazendo gol”.

GRÊMIO AGONIZA – O Corinthians, 4º com 57 pontos, garantiu vaga na fase de grupos da Libertadores 2022, com o belo gol de fora da área do meia carioca Renato Augusto, aos 40 do 2º tempo, da tarde de ontem (5), diante de 43.980 pagantes, na Arena Corinthians. O Grêmio, 18º com 40 pontos, havia feito 1 x 0 no 1º tempo, com o gol de outro carioca, Diego Souza, mas está cada vez mais perto do terceiro rebaixamento, depois de 17 anos (1991 e 2004).

NESTA 2ª FEIRA (6), SE O CUIABÁ, que tenta evitar a volta à Série B, vencer em casa o Fortaleza, ou o Juventude ganhar do São Paulo, no Morumbi, o Grêmio estará rebaixado porque 5ª (9), mesmo que vença em casa o campeão Atlético, só chegará aos 43, pontuação já alcançada por Juventude e Cuiabá. O Corinthians devolveu ontem (5) o 1 x 1 de 2007, quando o Grêmio o rebaixou à Série B. A PM impediu que a maioria dos torcedores entrasse na Arena Corinthians com caixões com as cores do Grêmio. Só alguns conseguiram.

Fotos: Lance! / UOL / Diário do Nordeste / Terra / CBF